Ele chegou sorrateiramente, mas compenetrado. Foi assim que o governador do Distrito Federal apareceu, quase em cima da hora (eram mais de 17h15) no estádio Pacaembu para assistir ao encontro com o papa nas cadeiras reservadas às autoridades. "Não avisei que vinha, mas fui convidado pessoalmente pelo núncio, não podia deixar de comparecer," contou em entrevista exclusiva ao Correio no próprio estádio. O governador, muito emocionado, não mediu as palavras e falou abertamente sobre a sua fé, sobre a necessidade da educação espiritual na família, sobre a fé do povo brasiliense, além de temas como aborto e células-tronco. Confira.
quinta-feira, maio 17
Exclusiva com Arruda (original sem cortes)
:: Quinta-feira, 10 de maio :: Parte II
Na sala de imprensa do Anhembi, um mimo: máquinas de café expresso da Nestlè. Ubi jornalistas, ibi café!
Internet Wi-Fi, sandubas, mesas redondas, cubículos para escrever com o laptop, computadores com internet banda larga, televisão, e eita, essa é a Ilze Scamparini (!).
Depois da confusão dos passes, fomos de carro do Estado de Minas para o Pacaembu. Fiquei na dúvida se levava ou não o laptop. Algo me dizia, leva, just in case. E lá fomos nós!
Chegamos e não pudemos estacionar muito perto. Na hora de descer do carro, ainda perguntei ao Rodrigo: Você acha que eu levo o computador? (estava numa mochila) Ele hesitou. Não sei, de repente é mais seguro ficar no carro.
Pensei, se ficar aqui, na saída terei de me encontrar com o motorista para depois ir caçar o ônibus do meu grupo, no meio da multidão... Não ia dar certo. Novamente a voz me dizia: leva, você trouxe até aqui, tá disfarçado na mochila.
Resolvi encarar o peso e o risco.
Lá fomos. Falamos com vários jovens ao redor do Pacaembu. Estrangeiros, brasileiros da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Distrito Federal. Perguntas para o povo fala, sobre aborto, células tronco e o ficar. Sobre o aborto, todos unânimes: "sou a favor da vida". E cada um fundamentava sua resposta de uma forma, nem sempre religiosa.
Foi marcante ver jovens de todos os lugares do país responder em uníssono contra o aborto. E falamos com mais de dez pessoas!
Arruda
Mas ainda mais marcante foi a sorte que tive de entrevistar exclusivavemente o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Foi assim: saí do "curral" (lugar onde ficam 'ilhados' os jornalistas) para pegar emprestado um cabo USB para descarregar as fotos da minha máquina no computador, para enviar ao jornal e... dei de cara com o Arruda. Ele estava descendo o lance de escadas e venci minha antipatia pessoal, encarei o homem e falei: muito prazer, governador, sou Fernanda Velloso, repórter do Correio Braziliense.
Ele me olhou completamente surpreso (parecia meio amortecido pela ocasião) e disse: Como vocês me descobriram aqui? Não contei a ninguém que vinha !
Eu, naquela hora pensei, é a minha chance, não saio do pé deste homem. Fui com a comitiva até a região do estádio que estava reservada à autoridades (que ficava logo abaixo ao local reservado aos jornalistas). Sentei-me ao lado dele e conversamos por uns 25- 30min, eu acho. Sinceramente, eu não acredito até agora na naturalidade que encarei essa entrevista, tirando o fato que eu pensava o tempo todo, meu Deus, e o que eu vou perguntar para este senhor? Ele estava muito à vontade, contou coisas muito pessoais. Depois eu vi que no Correio publicaram apenas algumas linhas do que eu havia enviado. Mas a minha foto também entrou!

(Vou postar toda a entrevista, o Correio publicou apenas uma parcela).
Wi-Fi
Ao chegar no espaço reservado à imprensa, vi que todo o mundo (reuters, nyt, el país,...) além de presente por meio de seus correspondentes, estava com seu computador no colo. Liguei o meu e... surpresa: Wi-Fi conected! Gritei ao Rodrigo: Eita, temos internet aqui! Demais, vamos mandar as matérias direto daqui mesmo. Foi o que nos salvou pois o evento terminou mais de 21h !!! (horário de fechamento do jornal). E olha que eu quase deixei o computador no carro, hein? Outra vez, agradeci a providência divina !
Internet Wi-Fi, sandubas, mesas redondas, cubículos para escrever com o laptop, computadores com internet banda larga, televisão, e eita, essa é a Ilze Scamparini (!).
Depois da confusão dos passes, fomos de carro do Estado de Minas para o Pacaembu. Fiquei na dúvida se levava ou não o laptop. Algo me dizia, leva, just in case. E lá fomos nós!
Chegamos e não pudemos estacionar muito perto. Na hora de descer do carro, ainda perguntei ao Rodrigo: Você acha que eu levo o computador? (estava numa mochila) Ele hesitou. Não sei, de repente é mais seguro ficar no carro.
Pensei, se ficar aqui, na saída terei de me encontrar com o motorista para depois ir caçar o ônibus do meu grupo, no meio da multidão... Não ia dar certo. Novamente a voz me dizia: leva, você trouxe até aqui, tá disfarçado na mochila.
Resolvi encarar o peso e o risco.
Lá fomos. Falamos com vários jovens ao redor do Pacaembu. Estrangeiros, brasileiros da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Distrito Federal. Perguntas para o povo fala, sobre aborto, células tronco e o ficar. Sobre o aborto, todos unânimes: "sou a favor da vida". E cada um fundamentava sua resposta de uma forma, nem sempre religiosa.
Foi marcante ver jovens de todos os lugares do país responder em uníssono contra o aborto. E falamos com mais de dez pessoas!Arruda
Mas ainda mais marcante foi a sorte que tive de entrevistar exclusivavemente o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Foi assim: saí do "curral" (lugar onde ficam 'ilhados' os jornalistas) para pegar emprestado um cabo USB para descarregar as fotos da minha máquina no computador, para enviar ao jornal e... dei de cara com o Arruda. Ele estava descendo o lance de escadas e venci minha antipatia pessoal, encarei o homem e falei: muito prazer, governador, sou Fernanda Velloso, repórter do Correio Braziliense.
Ele me olhou completamente surpreso (parecia meio amortecido pela ocasião) e disse: Como vocês me descobriram aqui? Não contei a ninguém que vinha !
Eu, naquela hora pensei, é a minha chance, não saio do pé deste homem. Fui com a comitiva até a região do estádio que estava reservada à autoridades (que ficava logo abaixo ao local reservado aos jornalistas). Sentei-me ao lado dele e conversamos por uns 25- 30min, eu acho. Sinceramente, eu não acredito até agora na naturalidade que encarei essa entrevista, tirando o fato que eu pensava o tempo todo, meu Deus, e o que eu vou perguntar para este senhor? Ele estava muito à vontade, contou coisas muito pessoais. Depois eu vi que no Correio publicaram apenas algumas linhas do que eu havia enviado. Mas a minha foto também entrou!

"Países que legalizaram o aborto depois tiveram um problema grave: foram feitos abortos menos nos casos de risco de vida da mãe ou estupro que nos casos de 'gravidez indesejada'. Ou seja, abriram precedente."
(Vou postar toda a entrevista, o Correio publicou apenas uma parcela).
Wi-Fi
Ao chegar no espaço reservado à imprensa, vi que todo o mundo (reuters, nyt, el país,...) além de presente por meio de seus correspondentes, estava com seu computador no colo. Liguei o meu e... surpresa: Wi-Fi conected! Gritei ao Rodrigo: Eita, temos internet aqui! Demais, vamos mandar as matérias direto daqui mesmo. Foi o que nos salvou pois o evento terminou mais de 21h !!! (horário de fechamento do jornal). E olha que eu quase deixei o computador no carro, hein? Outra vez, agradeci a providência divina !
quarta-feira, maio 16
terça-feira, maio 15
Dias extraordinários:: Quarta e Quinta-feira, 9 e 10 de maio::
[ Vou contar, por capítulos, minha viagem de cobertura pela Visita do Papa ao Brasil ]
Nosso ônibus quase me deixou para trás. Terminei de arrumar a mala às 19h45. De repente, noto o silêncio em casa. Cadê todo mundo?, me apavorei. Mesmo!
Depois de resolvido, tentava pensar o que teria deixado para trás... Computador, máquina digital, celular, carregadores, pilhas recarregáveis, máquina analógica, filmes, dinheiro, pijama, travesseiro, identidade, ufa! Acho que embalei tudo.
Saímos. Cansada, capotei no ônibus, mal vi o filme que passava (O homem que se tornou Papa - JP II).
Assim que chegamos, encontrei Silvinha na Missa que assistimos. Eu não sabia que a veria ali. Silvinha é minha amiga de SP, jornalista. Algumas horas antes teria me avisado que além da credencial, seria necessário também um passe para entrar em cada evento. Aproveitei que ela estava ali, fui de carona até o Anhembi pegar minha credencial e me encontrar com o resto da equipe.
Lá conheci uma jornalista americana da CBS. Ela mora em Washington. Primeira vez no Brasil. Me contou que havia jantado na noite anterior na casa de uma brasileira que conhecera fazendo reportagem aqui. Estava admirada: com a nossa bagunça e com nossa hospitalidade.
Chegou a hora de pegar o passe. Vejo que meu colega de faculdade, agora trabalhando na Folha, fala ao celular chateado que não conseguiu. Pensei, não é possível. E nós? Vamos ficar de fora?
No final da fila de jornalistas e fotógrafos e cinegrafistas, um rapaz distribuía os passes. De cima de um palquinho, afirmava que a medida era para evitar aglomeração desnecessária de jornalistas. Vai entender.
A jornalista norte-americana, da TV, só conseguiu 01 passe. Ela me olhou desconsolada: como vou levar toda minha equipe num só passe? Minha mão segurava 04 passes, dois para o Correio Braziliense, dois para o Estado de Minas. Pensei: será que vamos todos? Disse a ela que perguntaria se usaríamos todos os cartões e daria o excedente para ela.
Rodrigo disse que sim, iríamos todos. Quando voltei para a sala de entrega do passe, vi um bolo de jornalistas ao pé do palquinho, implorando, aos gritos por mais passes. Me fez lembrar minha infância, quando a gente ia nas casas pegar saquinhos de S. Cosme e S. Damião, aquele bolo de crianças com a mão estendida tentando chamar a atenção para ganhar o doce.
Na mesma hora corri e gritei ao moço que distribuía os passes que sobraram: A americana! Ela não fala português, veio com a TV CBS e só conseguiu um passe! Rapidamente o cara perguntou, cadê? E eu gritei: Kim, raise your hand!! E ele deu os últimos dois passes para ela. Thank you, Fernanda.
E pensei: Quê isso! Me leva de volta aos EUA e tá tudo pago ;D
Nosso ônibus quase me deixou para trás. Terminei de arrumar a mala às 19h45. De repente, noto o silêncio em casa. Cadê todo mundo?, me apavorei. Mesmo!
Depois de resolvido, tentava pensar o que teria deixado para trás... Computador, máquina digital, celular, carregadores, pilhas recarregáveis, máquina analógica, filmes, dinheiro, pijama, travesseiro, identidade, ufa! Acho que embalei tudo.
Saímos. Cansada, capotei no ônibus, mal vi o filme que passava (O homem que se tornou Papa - JP II).
Assim que chegamos, encontrei Silvinha na Missa que assistimos. Eu não sabia que a veria ali. Silvinha é minha amiga de SP, jornalista. Algumas horas antes teria me avisado que além da credencial, seria necessário também um passe para entrar em cada evento. Aproveitei que ela estava ali, fui de carona até o Anhembi pegar minha credencial e me encontrar com o resto da equipe.
Lá conheci uma jornalista americana da CBS. Ela mora em Washington. Primeira vez no Brasil. Me contou que havia jantado na noite anterior na casa de uma brasileira que conhecera fazendo reportagem aqui. Estava admirada: com a nossa bagunça e com nossa hospitalidade.
Chegou a hora de pegar o passe. Vejo que meu colega de faculdade, agora trabalhando na Folha, fala ao celular chateado que não conseguiu. Pensei, não é possível. E nós? Vamos ficar de fora?
No final da fila de jornalistas e fotógrafos e cinegrafistas, um rapaz distribuía os passes. De cima de um palquinho, afirmava que a medida era para evitar aglomeração desnecessária de jornalistas. Vai entender.
A jornalista norte-americana, da TV, só conseguiu 01 passe. Ela me olhou desconsolada: como vou levar toda minha equipe num só passe? Minha mão segurava 04 passes, dois para o Correio Braziliense, dois para o Estado de Minas. Pensei: será que vamos todos? Disse a ela que perguntaria se usaríamos todos os cartões e daria o excedente para ela.
Rodrigo disse que sim, iríamos todos. Quando voltei para a sala de entrega do passe, vi um bolo de jornalistas ao pé do palquinho, implorando, aos gritos por mais passes. Me fez lembrar minha infância, quando a gente ia nas casas pegar saquinhos de S. Cosme e S. Damião, aquele bolo de crianças com a mão estendida tentando chamar a atenção para ganhar o doce.
Na mesma hora corri e gritei ao moço que distribuía os passes que sobraram: A americana! Ela não fala português, veio com a TV CBS e só conseguiu um passe! Rapidamente o cara perguntou, cadê? E eu gritei: Kim, raise your hand!! E ele deu os últimos dois passes para ela. Thank you, Fernanda.
E pensei: Quê isso! Me leva de volta aos EUA e tá tudo pago ;D
sexta-feira, abril 27
Deu no NYT
quarta-feira, abril 25
O que ela não disse...
[Ela sai do trabalho, com a meia-luz do por-do-sol escapando pelas janelas do hall dos elevadores. Aperta o botão e se prepara para esperar, enquanto fala ao telefone.]
-- Olha, então vou esperar você me ligar. Vou buscar as crianças e te espero, pode ser?
-- Tudo bem, Gustavo, pode ser.
[A voz dela estava pesada. Ele sabia o porquê, mas não queria de novo entrar neste assunto chato. Por isso, ia buscar as crianças, nunca dava tempo, hoje ele ia no lugar dela. Às vezes ele fazia isto, se antecipava para deixá-la chegar em casa antes dele, para encontrá-la sentadinha, lendo. Ele gostava tanto da cena, mas sabia que se contasse a ela, perderia a graça.]
-- Olha, então vou esperar você me ligar. Vou buscar as crianças e te espero, pode ser?
-- Tudo bem, Gustavo, pode ser.
[A voz dela estava pesada. Ele sabia o porquê, mas não queria de novo entrar neste assunto chato. Por isso, ia buscar as crianças, nunca dava tempo, hoje ele ia no lugar dela. Às vezes ele fazia isto, se antecipava para deixá-la chegar em casa antes dele, para encontrá-la sentadinha, lendo. Ele gostava tanto da cena, mas sabia que se contasse a ela, perderia a graça.]
-- Eu acho que chego logo aí. Posso ir, não quer?
-- Não, hoje eu vou, aproveita e chega com a casa ainda em silêncio.
[Chega o elevador que vai à garagem. Mais quatro executivos engravatados o esperavam agora. E os quatro esperaram mais uns segundinhos, para que ela entrasse primeiro. Ela olhou rápido, concentrada no que falava o marido. Mas, mesmo no relance, ela reparou quem era um dos que entravam no elevador... Um arrepio na espinha.]
-- Gustavo, eu amo você.-- Não, hoje eu vou, aproveita e chega com a casa ainda em silêncio.
[Chega o elevador que vai à garagem. Mais quatro executivos engravatados o esperavam agora. E os quatro esperaram mais uns segundinhos, para que ela entrasse primeiro. Ela olhou rápido, concentrada no que falava o marido. Mas, mesmo no relance, ela reparou quem era um dos que entravam no elevador... Um arrepio na espinha.]
-- (...)
[Pela primeira vez não teve receio de dizer, tão fora do contexto, tão ressoante e com tanta certeza do que de todas as vezes, em mais de seis anos de relacionamento. Agora, pensou, queimei as naves. Espero que ele não me chame mais para almoçar.]
Quemar las naves
Já ouviu esta expressão? É uma locução popular espanhola.
O significado é mais ou menos este: ‘tomar una resolución extrema con la imposibilidad de volver atrás, aunque esto suponga una pérdida o un sacrificio grande’.
Claro que tem uma (ou mais!) historinha histórica por trás do dicho:
O conquistador insaciável Hernán Cortés (1485–1547), para evitar que suas tropas o desertassem em seu empreendimento no México em 1518, botou fogo nas onze embarcações que trouxe consigo da Espanha.
Também me contaram que, um pouquinho antes disso, em +ou- 335 AC, ao chegar na costa de Fenícia, Alexandre Magno desembarcou suas tropas e percebeu que iria enfrentar uma de suas maiores batalhas. Seus homens já estavam atemorizados. Então, a idéia que lhe passou pela cabeça foi esta: queimem os barcos. Enquanto se consumiam em chamas, disse aos companheiros: "Observem como queimam. Esta é a única razão pela qual devemos vencer: Vamos voltar a nossa terra com os barcos dos nossos inimigos". E, claro, a fama é que venceram.
O significado é mais ou menos este: ‘tomar una resolución extrema con la imposibilidad de volver atrás, aunque esto suponga una pérdida o un sacrificio grande’.
Claro que tem uma (ou mais!) historinha histórica por trás do dicho:
O conquistador insaciável Hernán Cortés (1485–1547), para evitar que suas tropas o desertassem em seu empreendimento no México em 1518, botou fogo nas onze embarcações que trouxe consigo da Espanha.
Também me contaram que, um pouquinho antes disso, em +ou- 335 AC, ao chegar na costa de Fenícia, Alexandre Magno desembarcou suas tropas e percebeu que iria enfrentar uma de suas maiores batalhas. Seus homens já estavam atemorizados. Então, a idéia que lhe passou pela cabeça foi esta: queimem os barcos. Enquanto se consumiam em chamas, disse aos companheiros: "Observem como queimam. Esta é a única razão pela qual devemos vencer: Vamos voltar a nossa terra com os barcos dos nossos inimigos". E, claro, a fama é que venceram.
sexta-feira, abril 20
60º Post - 1200 visitas
OBRIGADA !
... e para agradecer de verdade, minha receita famosa:
Os maravilhosos -- e ordinários (do dia-a-dia) -- cookies de chocolate de Fernanda
Ingredientes
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa rasa de bicarbonato de sal
3/4 xícara de açúcar mascavo
3/4 xícara de açúcar de confeiteiro (não mudar este ingrediente)
1 ovo
1 colher sopa rasa de essência de baunilha
1 xícara de manteiga (quase 1 tablete de 200g sem sal)
2 xícaras de chocolate em cubos ou gotinhas de chocolate(no Makro, vc as encontra)
1 xícara de castanha de caju picada (opcional)
Preparo
AH! Antes de tudo ligue o forno, temperatura média (190°C)
1. Misture os ingredientes secos numa vasilha: farinha, bicarbonato, sal. Reserve.
2. AMOLEÇA (não deixar derreter) a manteiga no microondas (uns 15 seg na pot máx devem bastar).
3. Misture a manteiga com os ovos e os açúcares na batedeira (velocidade lenta, batendo apenas o suficiente para ligar).
4. Acrescente a essência de baunilha e vá acrescentando aos poucos a mistura seca do n° 1.
5. Depois jogue com alegria! os pedaços de chocolate (podem ser de barras de chocolate ao leite ou meio amargo, à sua escolha).
6. Use duas colheres para fazer as bolinhas de cookies e as coloque meio longe umas das outras em tabuleiro untado.
7. O forno precisa ser pré-aquecido. E os cookies ficam lá dentro apenas 8 minutos. No máximo 10 min. Não dá para desgrudar da frente do forno, eles assam rápido. Aqui está outro segredo, você tira os cookies do forno ainda com uma cara meio crua -- eles vão parecer meio branquinhos, mas tenha fé, é assim mesmo, eles terminam de cozinhar fora do forno. Se eles ficam tempo demais lá dentro ficam DUROS no dia seguinte...
8. Deixe os cookies esfriarem para guardá-los num potinho desses de metal, que são bem vedados... Ou coma-os todos quentinhos mesmo: huuummm é o melhor !!!
... e para agradecer de verdade, minha receita famosa:
Os maravilhosos -- e ordinários (do dia-a-dia) -- cookies de chocolate de Fernanda
Ingredientes
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa rasa de bicarbonato de sal
3/4 xícara de açúcar mascavo
3/4 xícara de açúcar de confeiteiro (não mudar este ingrediente)
1 ovo
1 colher sopa rasa de essência de baunilha
1 xícara de manteiga (quase 1 tablete de 200g sem sal)
2 xícaras de chocolate em cubos ou gotinhas de chocolate(no Makro, vc as encontra)
1 xícara de castanha de caju picada (opcional)
Preparo
AH! Antes de tudo ligue o forno, temperatura média (190°C)
1. Misture os ingredientes secos numa vasilha: farinha, bicarbonato, sal. Reserve.
2. AMOLEÇA (não deixar derreter) a manteiga no microondas (uns 15 seg na pot máx devem bastar).
3. Misture a manteiga com os ovos e os açúcares na batedeira (velocidade lenta, batendo apenas o suficiente para ligar).
4. Acrescente a essência de baunilha e vá acrescentando aos poucos a mistura seca do n° 1.
5. Depois jogue com alegria! os pedaços de chocolate (podem ser de barras de chocolate ao leite ou meio amargo, à sua escolha).
6. Use duas colheres para fazer as bolinhas de cookies e as coloque meio longe umas das outras em tabuleiro untado.
7. O forno precisa ser pré-aquecido. E os cookies ficam lá dentro apenas 8 minutos. No máximo 10 min. Não dá para desgrudar da frente do forno, eles assam rápido. Aqui está outro segredo, você tira os cookies do forno ainda com uma cara meio crua -- eles vão parecer meio branquinhos, mas tenha fé, é assim mesmo, eles terminam de cozinhar fora do forno. Se eles ficam tempo demais lá dentro ficam DUROS no dia seguinte...
8. Deixe os cookies esfriarem para guardá-los num potinho desses de metal, que são bem vedados... Ou coma-os todos quentinhos mesmo: huuummm é o melhor !!!
quarta-feira, abril 18
Portugueses sabem contar!
Estavam os quatro CEOs passeando em Portugal pela primeira vez, deliciando a boa comida, este recanto confortável da Europa que não te faz passar por apuros em inglês nem na inconveniência de ser mal-tratado por não falar bem o francês.
Que maravilha é entender as placas! (ou não).
De qualquer forma, no bar, os quatro rapazes (nenhuma rapariga os acompanhara na viagem de negócios) ficaram contentes: chopp, eita palavra boa de entender!
Voltaram-se ao garçom, comandante, tio, brother, camarada, chefia, amigão, ôhl !
R1: Rapaz, me traz mais um?
R2: Dois!
R3: Três!
R4: Quatro!
Passam-se bons quinze minutos e eles nem desconfiaram quando o mesmo camarada chega ao lado com uma bandeja enorme, com 10 tulipas de chopp muito bem equilibradas.
-- Moço, para que tanto? Pedimos quatro.
-- Não, não, foi este rapaz (aponta para o R4) que pediu quatro. O senhor me pediu dois.
[Esta é verídica, viu? Sim, parece que virou piada eterna, depois.]
Que maravilha é entender as placas! (ou não).
De qualquer forma, no bar, os quatro rapazes (nenhuma rapariga os acompanhara na viagem de negócios) ficaram contentes: chopp, eita palavra boa de entender!
Voltaram-se ao garçom, comandante, tio, brother, camarada, chefia, amigão, ôhl !
R1: Rapaz, me traz mais um?
R2: Dois!
R3: Três!
R4: Quatro!
Passam-se bons quinze minutos e eles nem desconfiaram quando o mesmo camarada chega ao lado com uma bandeja enorme, com 10 tulipas de chopp muito bem equilibradas.
-- Moço, para que tanto? Pedimos quatro.
-- Não, não, foi este rapaz (aponta para o R4) que pediu quatro. O senhor me pediu dois.
[Esta é verídica, viu? Sim, parece que virou piada eterna, depois.]
segunda-feira, abril 16
Sapo virtual
Meninas urbanas quando inventam de passar uns dias em chácara da amiga tal, é aquela coisa: bate-papo até sei lá que horas, de pijamas e certamente uns gritinhos pela, digamos assim, interação mais próxima com a natureza.
Tem gente que trava com insetos, bichos com asas, então, imagina! Não adianta mentalizar que são inofensivos ou milimetricamente menores. Na hora mesmo, nada disso funciona.
Baratas, claro, vencem qualquer bicho. As que matam com os pés são verdadeiras heroínas.
De volta ao contexto da historinha de hoje, estavam as amigas-inseparáveis a conversar, com medo das pererecas e baratas daquela chácara não-habitada. Já haviam chinelado duas. E uma escapoliu. (Odeio quando a barata some ainda é uma das minhas comunidades favoritas do Orkut.)
Uma das moças ainda tremia. Sério. Não tente entender essas travas, elas simplesmente acontecem. Outra conversava olhando para o teto e as paredes.
Quando veio o barulho: Crhoach! Crhoach!
Silêncio da beira do pânico se instalou.
Vocês ouviram?
E não parava: Crhoach! Crhoach!
Abre essa mochila! Abre agora! Tem um sapo, tá aí dentroOooOO!
EU NÃO VOU ABRIR, ELE VAI SAIR PULANDO EM CIMA DE MIM!!!
CRHOACH!-CRHOACH! CRHOACH!-CRHOACH!
ANDA, ABRE!!
Abre, vai, acaba logo com isso (a voz antecipava o desespero, agora).
Calma, gente, deixa que eu abro de longe (sempre tem a corajosa, UFA!).
Ziiiiiiiip!
E o CRHOACH!-CRHOACH! tinha acabado.
Ela cai na gargalhada.
O QUE FOI?
Gente, foi apenas uma chamada não atendida.
Tem gente que trava com insetos, bichos com asas, então, imagina! Não adianta mentalizar que são inofensivos ou milimetricamente menores. Na hora mesmo, nada disso funciona.
Baratas, claro, vencem qualquer bicho. As que matam com os pés são verdadeiras heroínas.
De volta ao contexto da historinha de hoje, estavam as amigas-inseparáveis a conversar, com medo das pererecas e baratas daquela chácara não-habitada. Já haviam chinelado duas. E uma escapoliu. (Odeio quando a barata some ainda é uma das minhas comunidades favoritas do Orkut.)
Uma das moças ainda tremia. Sério. Não tente entender essas travas, elas simplesmente acontecem. Outra conversava olhando para o teto e as paredes.
Quando veio o barulho: Crhoach! Crhoach!
Silêncio da beira do pânico se instalou.
Vocês ouviram?
E não parava: Crhoach! Crhoach!
Abre essa mochila! Abre agora! Tem um sapo, tá aí dentroOooOO!
EU NÃO VOU ABRIR, ELE VAI SAIR PULANDO EM CIMA DE MIM!!!
CRHOACH!-CRHOACH! CRHOACH!-CRHOACH!
ANDA, ABRE!!
Abre, vai, acaba logo com isso (a voz antecipava o desespero, agora).
Calma, gente, deixa que eu abro de longe (sempre tem a corajosa, UFA!).
Ziiiiiiiip!
E o CRHOACH!-CRHOACH! tinha acabado.
Ela cai na gargalhada.
O QUE FOI?
Gente, foi apenas uma chamada não atendida.
sexta-feira, abril 13
quinta-feira, abril 12
Trava-línguas in English
Não sou tão tupiniquim assim para defender o uso de leiaute no lugar da palavra layout. Nem consigo usar correio eletrônico (é tão grande e ainda tem acento); vou de email (assim tudo junto como se escreve em inglês) mesmo. E olha Acho charmoso na Espanha chamarem o mouse de ratón. Mas confesso que esses estrangeirismos, às vezes, me incomodam.
Ainda assim, as palavras estão no ar, na rede, na boca do povo (até demais).
Veja só no que deu:
Situação 1 (ao telefone)
-- Sim senhor, como posso ajudá-lo.
-- É que a minha máquina não tá querendo fazer o dolôde.
-- Como assim dolôde, senhor?, pergunta a voz treinada, com ar de dúvida educada.
-- A senhora não sabe o que é dolôde?!, responde incrédulo o velhinho do outro lado.
(silêncio breve, desconfortável)
-- O senhor poderia me explicar o que quer fazer?
-- É que eu tenho que abrir um negócio aqui e quando clico no dolôde, a máquina num faz.
-- Ah! Download!
-- Isso, isso, dolôde! Viu como você sabia o que era?
Situação 2 (no atendimento bancário)
-- Moça, eu queria fazê esse tipo de depósito aqui..
(passa um papelzinho amassado, com letra de forma meio tremida que diz: UEISTEREMUNIOM)
-- Ah, tudo bem, a senhora quer fazer uma transação via Western Union?
-- Isso que diz ai? É isso mesmo.
-- Olha, vou escrever aqui a forma correta para a senhora não ter problemas no futuro, pode ser?
-- Tudo bem, moça.
Outro cliente chega decidido, pede com tom alto:
-- É.. eu quero fazer um Wesley Junior.
-- Ãhn?
-- Aquele nome... um depósito aí, Wesley Junior (fala mais rápido, agora suspeitando do erro).
-- Não seria Western Union?
-- ISSO!, fala olhando para os lados.
Ainda assim, as palavras estão no ar, na rede, na boca do povo (até demais).
Veja só no que deu:
Situação 1 (ao telefone)
-- Sim senhor, como posso ajudá-lo.
-- É que a minha máquina não tá querendo fazer o dolôde.
-- Como assim dolôde, senhor?, pergunta a voz treinada, com ar de dúvida educada.
-- A senhora não sabe o que é dolôde?!, responde incrédulo o velhinho do outro lado.
(silêncio breve, desconfortável)
-- O senhor poderia me explicar o que quer fazer?
-- É que eu tenho que abrir um negócio aqui e quando clico no dolôde, a máquina num faz.
-- Ah! Download!
-- Isso, isso, dolôde! Viu como você sabia o que era?
Situação 2 (no atendimento bancário)
-- Moça, eu queria fazê esse tipo de depósito aqui..
(passa um papelzinho amassado, com letra de forma meio tremida que diz: UEISTEREMUNIOM)
-- Ah, tudo bem, a senhora quer fazer uma transação via Western Union?
-- Isso que diz ai? É isso mesmo.
-- Olha, vou escrever aqui a forma correta para a senhora não ter problemas no futuro, pode ser?
-- Tudo bem, moça.
Outro cliente chega decidido, pede com tom alto:
-- É.. eu quero fazer um Wesley Junior.
-- Ãhn?
-- Aquele nome... um depósito aí, Wesley Junior (fala mais rápido, agora suspeitando do erro).
-- Não seria Western Union?
-- ISSO!, fala olhando para os lados.
Lendas Universitárias
As mais conhecidas são, certamente, as dos "professores-carrasco".
Ouvi esta recentemente do meu irmão.
"Peguei Toninho Malvadeza em Mec3 (leia-se McTrês, como no McDonald's, e entenda-se Mecânica 3, disciplina obrigatória para Engenharia Mecânica).
Já era.
Conta a lenda que Toninho Malvadeza, distraído como sempre, se perdeu na correção das provas que acabou corrigindo o seu próprio gabarito.
O pior é que ele deu nota 7.
Pense".
Ouvi esta recentemente do meu irmão.
"Peguei Toninho Malvadeza em Mec3 (leia-se McTrês, como no McDonald's, e entenda-se Mecânica 3, disciplina obrigatória para Engenharia Mecânica).
Já era.
Conta a lenda que Toninho Malvadeza, distraído como sempre, se perdeu na correção das provas que acabou corrigindo o seu próprio gabarito.
O pior é que ele deu nota 7.
Pense".
sexta-feira, março 16
quarta-feira, março 14
Conto da maçã
"Quando perguntaram a Joaninha o que é que ela queria ser quando fosse grande (há sempre um dia em que um adulto nos faz essa pergunta), ela não hesitou:
- Quando for grande quero ser maçã!
Disse aquilo com tanta convicção que a mãe se assustou:
- Maçã?
A maior parte das crianças quer ser: a) astronauta; b) médica/o; c) corredor de automóveis; d) futebolista; e) cantor/a; f) presidente. Há algumas respostas mais originais: "Quero ser solteiro", confessou o filho de uma amiga minha. Conheço uma menininha que foi ainda mais ambiciosa:
- Quando for grande quero ser feliz.
Mas maçã? Joaninha, meu amor, maçã porquê? A pequena encolheu os ombros: "são tão lindas". Passaram-se os anos e a mãe pensou que ela se tinha esquecido daquilo. Mas não. No dia em que entrou para a escola, a professora fez a todos os meninos a mesma pergunta:
- Ora então vamos lá saber o que é que vocês querem ser quando forem grandes...
Astronauta. Piloto de Fórmula 1. Cantora. Futebolista. Barbie (há muitas meninas que querem ser a Barbie). Médica. Modelo. Actriz. E tu, Joaninha?
- Eu quero ser maçã!
Risos. Os outros meninos começaram a fazer troça dela:
- Maçã raineta! Maçã raineta!...
- Se a Joaninha pode ser uma maçã, senhora professora, eu quero ser um avião...
Ela nem fazia caso. Quando crescesse havia de ser uma maçã, sim, uma maçã verde, luminosa, tão perfumada como uma manhã de Primavera.
Poucas vezes, porém, conseguimos cumprir os nossos sonhos. Joaninha transformou-se numa mulher bonita, estudou, e fez-se professora. Era uma boa professora. Só quem conseguisse olhar para dentro dela poderia saber que, bem lá no fundo do seu coração, Joaninha sentia ainda aquela grande vontade de se tornar maçã. O tempo passou - o tempo, aliás, está sempre a passar, nós é que nem sempre damos pela sua passagem. O tempo passou, portanto, e Joaninha envelheceu. Não casara, não tinha filhos, envelheceu sozinha.
Foi numa tarde de Outono. As árvores tinham perdido as folhas. O sol, cansado, com aquela cor macia que tem o mel, desaparecia no horizonte. Joaninha estava a dormir, sentada numa cadeira de baloiço. na varanda da sua casa, quando apareceu um anjo e a levou.
Joaninha abriu os olhos e viu o que já antes via com os olhos fechados: os anjos passeando num grande jardim, os peixes flutuando no ar, juntamente com os pássaros, e aquele velho de barbas brancas, ao seu lado, sorrindo como só Deus sabes sorrir.
- Meu Deus - perguntou-lhe - porque não me deixaste ser maçã?
- Ser maçã é difícil, Joaninha - disse-lhe Deus. É preciso crescer muito para se ser uma boa maçã. Tu cresceste. Agora, sim, serás maçã.
Alguns anos depois, um menino descobriu no pomar da casa dos seus avós uma maçã de um brilho intenso. Cheirou-a: cheirava a manhãs lavadas, cheirava a Primavera, era um cheiro que se colava aos dedos. O menino comeu a maçã e sentiu-se feliz. Naquela tarde disse à avó:
- Sabes, acho que quando for grande quero ser maçã!"
Um conto do português/angolano: José Eduardo Agualusa.
- Quando for grande quero ser maçã!
Disse aquilo com tanta convicção que a mãe se assustou:
- Maçã?
A maior parte das crianças quer ser: a) astronauta; b) médica/o; c) corredor de automóveis; d) futebolista; e) cantor/a; f) presidente. Há algumas respostas mais originais: "Quero ser solteiro", confessou o filho de uma amiga minha. Conheço uma menininha que foi ainda mais ambiciosa:
- Quando for grande quero ser feliz.
Mas maçã? Joaninha, meu amor, maçã porquê? A pequena encolheu os ombros: "são tão lindas". Passaram-se os anos e a mãe pensou que ela se tinha esquecido daquilo. Mas não. No dia em que entrou para a escola, a professora fez a todos os meninos a mesma pergunta:
- Ora então vamos lá saber o que é que vocês querem ser quando forem grandes...
Astronauta. Piloto de Fórmula 1. Cantora. Futebolista. Barbie (há muitas meninas que querem ser a Barbie). Médica. Modelo. Actriz. E tu, Joaninha?
- Eu quero ser maçã!
Risos. Os outros meninos começaram a fazer troça dela:
- Maçã raineta! Maçã raineta!...
- Se a Joaninha pode ser uma maçã, senhora professora, eu quero ser um avião...
Ela nem fazia caso. Quando crescesse havia de ser uma maçã, sim, uma maçã verde, luminosa, tão perfumada como uma manhã de Primavera.
Poucas vezes, porém, conseguimos cumprir os nossos sonhos. Joaninha transformou-se numa mulher bonita, estudou, e fez-se professora. Era uma boa professora. Só quem conseguisse olhar para dentro dela poderia saber que, bem lá no fundo do seu coração, Joaninha sentia ainda aquela grande vontade de se tornar maçã. O tempo passou - o tempo, aliás, está sempre a passar, nós é que nem sempre damos pela sua passagem. O tempo passou, portanto, e Joaninha envelheceu. Não casara, não tinha filhos, envelheceu sozinha.
Foi numa tarde de Outono. As árvores tinham perdido as folhas. O sol, cansado, com aquela cor macia que tem o mel, desaparecia no horizonte. Joaninha estava a dormir, sentada numa cadeira de baloiço. na varanda da sua casa, quando apareceu um anjo e a levou.
Joaninha abriu os olhos e viu o que já antes via com os olhos fechados: os anjos passeando num grande jardim, os peixes flutuando no ar, juntamente com os pássaros, e aquele velho de barbas brancas, ao seu lado, sorrindo como só Deus sabes sorrir.
- Meu Deus - perguntou-lhe - porque não me deixaste ser maçã?
- Ser maçã é difícil, Joaninha - disse-lhe Deus. É preciso crescer muito para se ser uma boa maçã. Tu cresceste. Agora, sim, serás maçã.
Alguns anos depois, um menino descobriu no pomar da casa dos seus avós uma maçã de um brilho intenso. Cheirou-a: cheirava a manhãs lavadas, cheirava a Primavera, era um cheiro que se colava aos dedos. O menino comeu a maçã e sentiu-se feliz. Naquela tarde disse à avó:
- Sabes, acho que quando for grande quero ser maçã!"
segunda-feira, março 12
Devagar é que se entende...
Não sei o porquê, mas é comum, ao "estarmos" estrangeiros em países de línguas que desconhecemos, falarmos mais dee-vaa-gaaariinho, abrindo bem a boca, como se isso fosse dotar automaticamente o nativo de um tradutor portátil (e invisível) que conseguisse nos decifrar.
Depois da dispensável introdução, que tira a graça da historinha, ei-la:
Mãe de 4 filhos, viúva, 57 anos decide ir para a Alemanha. Vai visitar o primogênito, mas prefere ficar em hotel para evitar conflitos com a nora bagunçenta (bem que nesse aspecto ela queria que Helga parecesse mais germânica).
Passa o primeiro dia muito bem obrigada no hotel. Café, leite e pães são uma linguagem universal no café da manhã.
No terceiro e último dia, faltava sua camisola. O costume de deixá-la, dobrada, debaixo do travesseiro deve ter sido a causa do sumiço.
Nesse mesmo instante, entra a camareira, com ares de atrasada. Leva um susto ao perceber a velhinha enxuta ainda em seu quarto. A hóspede pensa, um pouco medrosa: o diálogo -- em alemão??socorro! -- vai ter de acontecer. Em inglês, não. Eu não vou falar essa língua ignóbil.
Então, vira-se para a moçoila e diz:
-- Vooo-cê por aaca-so nããão viu um-ma ca-mi-so-li-nha por a-quii?
Mal havia terminado de falar e a camareira pôs-se a inundar os olhos.
A viúva viajante não entendeu nada.
E repetiu:
-- Nããão choo-rees. Nãão voouu fii-caar braa-va. Só proo-cu-ro uma ca-mi-so-li-nha. De dor-mir (fez o gesto com as mãos em palma ao lado da bochecha direita), voo-cê viu (apontou os olhos)?
A menina chorava copiosamente. Mas levantou a mão. Fez que ia falar.
Não conseguia.
Resolveu esperar, com um sorriso leve, meio desconcertada.
-- É que eu (shhhgllt) sou brasileira. Bra-si-leeei-ra. Faz muito tempo que (...) não ouço o Português.
Depois da dispensável introdução, que tira a graça da historinha, ei-la:
Mãe de 4 filhos, viúva, 57 anos decide ir para a Alemanha. Vai visitar o primogênito, mas prefere ficar em hotel para evitar conflitos com a nora bagunçenta (bem que nesse aspecto ela queria que Helga parecesse mais germânica).
Passa o primeiro dia muito bem obrigada no hotel. Café, leite e pães são uma linguagem universal no café da manhã.
No terceiro e último dia, faltava sua camisola. O costume de deixá-la, dobrada, debaixo do travesseiro deve ter sido a causa do sumiço.
Nesse mesmo instante, entra a camareira, com ares de atrasada. Leva um susto ao perceber a velhinha enxuta ainda em seu quarto. A hóspede pensa, um pouco medrosa: o diálogo -- em alemão??socorro! -- vai ter de acontecer. Em inglês, não. Eu não vou falar essa língua ignóbil.
Então, vira-se para a moçoila e diz:
-- Vooo-cê por aaca-so nããão viu um-ma ca-mi-so-li-nha por a-quii?
Mal havia terminado de falar e a camareira pôs-se a inundar os olhos.
A viúva viajante não entendeu nada.
E repetiu:
-- Nããão choo-rees. Nãão voouu fii-caar braa-va. Só proo-cu-ro uma ca-mi-so-li-nha. De dor-mir (fez o gesto com as mãos em palma ao lado da bochecha direita), voo-cê viu (apontou os olhos)?
A menina chorava copiosamente. Mas levantou a mão. Fez que ia falar.
Não conseguia.
Resolveu esperar, com um sorriso leve, meio desconcertada.
-- É que eu (shhhgllt) sou brasileira. Bra-si-leeei-ra. Faz muito tempo que (...) não ouço o Português.
quinta-feira, março 8
a escritora- parte I
Então, ela abriu o caderno e pôs-se a escrever.
Mesmo que já não pudesse mais lhe contar, ela precisava daquilo.
Na mesa, as pontas do cigarro que caíam do cinzeiro, seus anéis e pulseiras se misturavam com os papéis e sua máquina de escrever.
Ela gostava daquele barulho.
Parecia-lhe que toda a sua turbulência saia-lhe da cabeça naquele tectectec.
As horas passaram lentamente.
Outra vez, pensou, outra vez.
E as palavras lhe faziam greve. Outra vez.
Mesmo que já não pudesse mais lhe contar, ela precisava daquilo.
Na mesa, as pontas do cigarro que caíam do cinzeiro, seus anéis e pulseiras se misturavam com os papéis e sua máquina de escrever.
Ela gostava daquele barulho.
Parecia-lhe que toda a sua turbulência saia-lhe da cabeça naquele tectectec.
As horas passaram lentamente.
Outra vez, pensou, outra vez.
E as palavras lhe faziam greve. Outra vez.
quarta-feira, março 7
Alguém, neste instante, em algum lugar...
-- Acorda atrasado pois o relógio não tocou (ou ele não ouviu);
-- Pede um caffélate numa loja da Starbucks - que vai ser derramado antes de entrar no metrô;
-- Atende o celular no meio da sala de aula;
-- Prende a respiração para aprender a mergulhar, antes de se aventurar a mais de pés debaixo do oceano pacífico;
-- Decide que chegou a hora de fazer uma dieta;
-- Sai para a rua para dirigir, indo para um lugar desconhecido;
-- Comenta com a colega que o sapato está apertado
-- Acaba de perder o ônibus da escola;
-- Deixa cair o MP3 player na rua sem perceber;
-- Corta o cabelo de uma cliente que acabou de terminar o namoro;
-- Tira as lentes de contato por causa de uma alergia;
-- Está escovando os dentes depois do almoço, mas não passa fio dental;
-- Pensa que a vida não vale a pena;
-- Corre no parque da cidade, desviando de um cachorro perdido;
-- Atravessa a Av Paulista para um almoço de negócios;
-- Vê um filme muito chato, para se arrepender depois;
-- Toma um sorvete gelado para aliviar o calor;
-- Toma um chá de framboesa para ler um livro e esquecer dos - 25ºC que fazem lá fora;
-- Salta de pára-quedas pela primeira vez;
-- Não está olhando para uma tela de computador;
-- Descobre uma doença grave;
-- Recebe a notícia de uma promoção;
-- Começa a escrever uma receita para um paciente sem olhar-lhe nos olhos;
-- Reza pacificamente numa igreja;
-- Ora, cheio de dor, em um velório;
-- Bebe outro copo de água antes de fazer uma endoscopia;
-- Apara a grama do quintal;
-- Compra uma jaqueta jeans na Gap;
-- Usa filtro solar para sair na rua;
-- Prega um outdoor sobre óculos de sol;
-- Põe o boné para continuar a colher as jaboticabas;
-- Rega as plantas de seu jardim de inverno;
-- Recolhe o lixo de toda uma vizinhança;
-- Dirige um caminhão que vai buscar carnes em um frigorífico;
-- Desliza numa piscina, treinando para o PAN;
-- Fotografa um político que está dando uma entrevista;
-- Adianta o jantar para receber os amigos em comemoração à sua formatura;
-- Lê a página 39 do Harry Potter e a Ordem da Fênix ...
-- Pede um caffélate numa loja da Starbucks - que vai ser derramado antes de entrar no metrô;
-- Atende o celular no meio da sala de aula;
-- Prende a respiração para aprender a mergulhar, antes de se aventurar a mais de pés debaixo do oceano pacífico;
-- Decide que chegou a hora de fazer uma dieta;
-- Sai para a rua para dirigir, indo para um lugar desconhecido;
-- Comenta com a colega que o sapato está apertado
-- Acaba de perder o ônibus da escola;
-- Deixa cair o MP3 player na rua sem perceber;
-- Corta o cabelo de uma cliente que acabou de terminar o namoro;
-- Tira as lentes de contato por causa de uma alergia;
-- Está escovando os dentes depois do almoço, mas não passa fio dental;
-- Pensa que a vida não vale a pena;
-- Corre no parque da cidade, desviando de um cachorro perdido;
-- Atravessa a Av Paulista para um almoço de negócios;
-- Vê um filme muito chato, para se arrepender depois;
-- Toma um sorvete gelado para aliviar o calor;
-- Toma um chá de framboesa para ler um livro e esquecer dos - 25ºC que fazem lá fora;
-- Salta de pára-quedas pela primeira vez;
-- Não está olhando para uma tela de computador;
-- Descobre uma doença grave;
-- Recebe a notícia de uma promoção;
-- Começa a escrever uma receita para um paciente sem olhar-lhe nos olhos;
-- Reza pacificamente numa igreja;
-- Ora, cheio de dor, em um velório;
-- Bebe outro copo de água antes de fazer uma endoscopia;
-- Apara a grama do quintal;
-- Compra uma jaqueta jeans na Gap;
-- Usa filtro solar para sair na rua;
-- Prega um outdoor sobre óculos de sol;
-- Põe o boné para continuar a colher as jaboticabas;
-- Rega as plantas de seu jardim de inverno;
-- Recolhe o lixo de toda uma vizinhança;
-- Dirige um caminhão que vai buscar carnes em um frigorífico;
-- Desliza numa piscina, treinando para o PAN;
-- Fotografa um político que está dando uma entrevista;
-- Adianta o jantar para receber os amigos em comemoração à sua formatura;
-- Lê a página 39 do Harry Potter e a Ordem da Fênix ...
sexta-feira, janeiro 12
Lost
Ela tinha tudo que precisava à mão: carro equipado com GPS, direções tiradas do sensacional mapquest. Agora, na hora do terror de ler as placas Exit 99 straight, Exit 97 left only a coisa é um pouquinho mais complexa. Um probleminha entre o voltante e o assento da van Grand Vouyager da Chrysler.
Então, escolheu a saída. Errada. Não percebeu, pois o Chico cantava dentro do carro para acalmá-la antes de ficar nervosa. Passou bastante tempo e nada da placa cinza aparecer de novo. De repente tudo parecia distante. Parecia caminho com cara de perdido. Sabe como é: quando você se perde a rua parece fazer cara de perdida para você.
Ela olha de novo o mapa, passa por uma indicação Vermount. Pronto. O frio da espinha - bem pior que os -2ºC que faziam lá fora - subiu-lhe com a certeza de estar errada e a incerteza de saber consertar. Onde há o retorno? E retorno para onde?
Olho no celular: low battery.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!
Pronto, o coração se desespera antes da hora.
Cala a boca, Chico Buarque! Depois você diz amanhã ninguém sabe.
Ela sai do carro para respirar. Pensa, pensa, olha ao redor... O carregador do Jonas! Sabe lá onde esse menino largou aquele negócio que carrega o celular no acendedor de cigarro. Procura pelo aparelhinho, mas não encontra.
No auge do desespero, senta no meio-fio e começa a chorar. O frio nem importa mais.
COMO vou sair daqui?
Passam-se uns longos treze minutos.
Um carro azul marinho muda de faixa, passa para a terceira da free-way, reduz de 90km/h para 30km/h, vai parando com pisca alerta.
Sai de lá um senhor meio gordinho lhe pergunta: May I help you, madam?
Ela olha para ele: Whati?
Chora mais. Não consegue nem entender, que dirá explicar.
Ela pega o mapa, mostra o endereço e aponta: here! here! entre soluços.
Ele se enternece, diz algo, e volta para o carro.
Ela entende que vai segui-lo.
E o senhor gordinho a leva de volta, um desvio de 15km na sua rota...
Ela agradece, contente por saber dizer Thank iuú! Thank you!
****
Então, escolheu a saída. Errada. Não percebeu, pois o Chico cantava dentro do carro para acalmá-la antes de ficar nervosa. Passou bastante tempo e nada da placa cinza aparecer de novo. De repente tudo parecia distante. Parecia caminho com cara de perdido. Sabe como é: quando você se perde a rua parece fazer cara de perdida para você.
Ela olha de novo o mapa, passa por uma indicação Vermount. Pronto. O frio da espinha - bem pior que os -2ºC que faziam lá fora - subiu-lhe com a certeza de estar errada e a incerteza de saber consertar. Onde há o retorno? E retorno para onde?
Olho no celular: low battery.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!
Pronto, o coração se desespera antes da hora.
Cala a boca, Chico Buarque! Depois você diz amanhã ninguém sabe.
Ela sai do carro para respirar. Pensa, pensa, olha ao redor... O carregador do Jonas! Sabe lá onde esse menino largou aquele negócio que carrega o celular no acendedor de cigarro. Procura pelo aparelhinho, mas não encontra.
No auge do desespero, senta no meio-fio e começa a chorar. O frio nem importa mais.
COMO vou sair daqui?
Passam-se uns longos treze minutos.
Um carro azul marinho muda de faixa, passa para a terceira da free-way, reduz de 90km/h para 30km/h, vai parando com pisca alerta.
Sai de lá um senhor meio gordinho lhe pergunta: May I help you, madam?
Ela olha para ele: Whati?
Chora mais. Não consegue nem entender, que dirá explicar.
Ela pega o mapa, mostra o endereço e aponta: here! here! entre soluços.
Ele se enternece, diz algo, e volta para o carro.
Ela entende que vai segui-lo.
E o senhor gordinho a leva de volta, um desvio de 15km na sua rota...
Ela agradece, contente por saber dizer Thank iuú! Thank you!
****
quinta-feira, janeiro 11
Férias, de novo no supermercado
Foi comprar gelatina. Dizem que prende o cabelo até debaixo d'água.
Mas não era para alisar os cabelos, era para aquela receita gostosa mesmo. Isso acontece sempre - a vó se dá na conta de que falta um ingrediente e lá vai ele para o mercado.
É que ele não era um menininho reclamão. Nunca havia sido.
Ia porque gostava de ver gente, mesmo que o desenho mais legal do mundo tivesse passando na tevê.
Gelatina colorida: tinha de ser de cor roxa.
As prateleiras já lhe pareciam mais altas. Ele costumava ir de bicicleta para o mercado, mas hoje foi de moto. Há coisas de família que não mudam mesmo. Nem passando nove, dez, vinte e três anos. No caso do Marcelo foram 19, na verdade.
Agora ele era publicitário. Que diferença ver os cartazes do mercado do seu Luis! A letra cursiva, escrita a pincél e guache por cima da cartolina (será que dava um A3 ou um B4 ?) já lhe faziam pensar em outras coisas. Não curtia mais ficar zanzando para ver as amostras grátis ou ficar esperando o pãozinho sair quentinho. Duro era não querer sofrer do próprio "veneno".
Diante da prateleira, a famosa gelatina.
Depois, a fila única do caixa ainda sem leitura de código de barra.
Rapidamente se distrai.
Vai olhando os moradores, acena com a cabeça para alguns. E nada parecia diferente. Isso não lhe incomodava. Da altura de seus 28 anos, Marcelo ainda era o Pernalonga. Quase campeão de basquete, agora um pouco menos traumatizado de suas longas canelas. O tamanho lhe era uma marca tão própria que as pessoas lhe reconheciam de costas e gritavam pernalonga!
Desta vez, a voz era parecida.
Se vira, e vê que vem sorrindo a ele Janaína.
Ah, tem coisas que mudam, sim, pensou.
Ainda bem.
Mas não era para alisar os cabelos, era para aquela receita gostosa mesmo. Isso acontece sempre - a vó se dá na conta de que falta um ingrediente e lá vai ele para o mercado.
É que ele não era um menininho reclamão. Nunca havia sido.
Ia porque gostava de ver gente, mesmo que o desenho mais legal do mundo tivesse passando na tevê.
Gelatina colorida: tinha de ser de cor roxa.
As prateleiras já lhe pareciam mais altas. Ele costumava ir de bicicleta para o mercado, mas hoje foi de moto. Há coisas de família que não mudam mesmo. Nem passando nove, dez, vinte e três anos. No caso do Marcelo foram 19, na verdade.
Agora ele era publicitário. Que diferença ver os cartazes do mercado do seu Luis! A letra cursiva, escrita a pincél e guache por cima da cartolina (será que dava um A3 ou um B4 ?) já lhe faziam pensar em outras coisas. Não curtia mais ficar zanzando para ver as amostras grátis ou ficar esperando o pãozinho sair quentinho. Duro era não querer sofrer do próprio "veneno".
Diante da prateleira, a famosa gelatina.
Depois, a fila única do caixa ainda sem leitura de código de barra.
Rapidamente se distrai.
Vai olhando os moradores, acena com a cabeça para alguns. E nada parecia diferente. Isso não lhe incomodava. Da altura de seus 28 anos, Marcelo ainda era o Pernalonga. Quase campeão de basquete, agora um pouco menos traumatizado de suas longas canelas. O tamanho lhe era uma marca tão própria que as pessoas lhe reconheciam de costas e gritavam pernalonga!
Desta vez, a voz era parecida.
Se vira, e vê que vem sorrindo a ele Janaína.
Ah, tem coisas que mudam, sim, pensou.
Ainda bem.
sexta-feira, dezembro 22
quarta-feira, dezembro 20
sexta-feira, dezembro 1
Descanso
Ele queria deixar tudo explodir junto com sua cabeça.
Queria um refresco.
Pensou em ouvir uma música.
Não.
A cabeça dói demais.
Pensou em ler, ligar a tevê.
Cansado demais.
Abriu a gaveta do escritório e sorriu.
A foto dela estava lá, no meio da papelada.
E encontrou o descanso no seu olhar.
Quem precisa de sinfonia?
Descansou olhando o seu olhar, o dela.
Não precisava mais nada.
E voltou a trabalhar, aliviado, sem tomar neosaldina.
Queria um refresco.
Pensou em ouvir uma música.
Não.
A cabeça dói demais.
Pensou em ler, ligar a tevê.
Cansado demais.
Abriu a gaveta do escritório e sorriu.
A foto dela estava lá, no meio da papelada.
E encontrou o descanso no seu olhar.
Quem precisa de sinfonia?
Descansou olhando o seu olhar, o dela.
Não precisava mais nada.
E voltou a trabalhar, aliviado, sem tomar neosaldina.
quinta-feira, novembro 23
Agradecimentos
Quantas palavras obrigado já saíram sem valer nada? E quantas oportunidades de agradecer foram desperdiçadas? Neste post, reconsidero os muito obrigada que nunca dei... e faltaram!Quero agradecer ao Zico pelo amor à camisa que deu ao meu coração cores rubronegras.
Quero agradecer ao meu avô paterno por ter muitos muitos pacotinhos de figurinhas -- sempre -- para meus álbuns serem completados mais rapidamente.
Quero agradecer a minha única professora de natação, Patrícia, que me ensinou todos os quatro nados com perfeição de detalhes e ao mesmo tempo me ensinou a gostar de nadar.
Quero agradecer à minha única professora de ballet, que me fez desistir.
Quero agradecer ao CESPE, que dificultou a minha entrada no vestibular, elaborando provas cada vez mais difíceis, me deixando mais tempo no cursinho para pensar na vida e ver que Medicina não era mesmo MESMO a minha praia, Ufa!
Quero agradecer ao meu cabelo, por sempre se comportar bem.
Quero agradecer ao meu pé, por ser feio feio muito feio, além de grande.
Quero agradecer ao Meu Primeiro Gradiente por ter me feito a criança mais feliz naquele natal.
Quero agradecer ao meu avô materno, que está no Céu, que me empurrou a andar de bicicleta sem rodinha pela primeira vez, mesmo sabendo que eu ia cair.
Quero agradecer ao meu 'tiomaisbonito' que me levava com carinho às aulas de catequese.
Quero agradecer ao meu primo, pelos filmes de terror que alugava nas férias e eu fingia detestar mas curtia muito.
Quero agradecer à minha prima, por ler muito nas férias e não me dar bola e me deixar sem alternativas que ler muito também junto com ela.
Quero agradecer à minha amiga carioca que sempre me recebeu na casa dela com vários tipos diferentes de geléia, pães de forma variados, muiiito requeijão congelado e... todo o guarda-roupa à disposição.
Quero agradecer ao meu ortopedista que consertou meus pés dos 2 aos 7 anos.
Quero agradecer à prof. Marta, de História da 8a série, que me colocou à frente do projeto de teatro da turma e me fez descobrir um protótipo de roteirista-produtora em mim.
Quero agradecer aos produtores do Sítio do Picapau Amarelo e do Mundo de Beackman.
Quero agradecer a Fernando Pessoa, pelas vezes - muitas - que me fez perder o ponto de descer do ônibus.
Quero agradecer ao metrô de Washington, por sempre me levar aonde eu queria ir (quando não me perdia de linha, claro)
Quero agradecer ao(s) carteiro(s), sim, todos, que me traziam as cartas boas e as cartas tristes.
E... quero agradecer à minha falecida Vó Darcy por todas as balinhas de coco que ela fez e por fazer questão de reunir toda a família no Natal e por sempre convencer o vovô a se vestir de papai noel para entregar os presentes para nós.
[e ao pai, à mãe, ao irmão, à irmã: agradeço por tudo e sempre :) ]
Corte, parcial
Ela sentou na cadeira e esperou ser "levantada". Deu aquele friozinho na barriga. Não, não vais mudar de idéia. Nem estás pensando nisto.
Ela se mexeu. Ele perguntou: Tá bom aqui?
Ela fez que sim com a cabeça enquanto esperava o moço simples colocar-lhe o avental. Passou outro segundo até que a cena do espelho lhe fez lembrar outra vez que (!)...
Não, já concordastes que não vais pensar outra vez nesta pessoa, que não vais permitir que mais um bobo acontecimento seja motivo de se desculpar em estares com a cabeça nestas lembranças. Já vais replicar: mas é que esse moço está com o perfume dele, mas é que da última vez que passei por aqui ele estava comigo, mas não é culpa minha, me ofereceram a revista para a qual ele escreve!
Ela resolveu colocar os fones no ouvido, talvez essa voz interna, masculina e repressora parasse. Nenhum playlist era neutro. Ou ele gostava ou ela gostava de ouvir com ele; ou ele havia lhe ensinado a apreciar ou ela havia copiado do CD original para ele também...
Quero outra trilha sonora. Agora, pensou.
Fones ao ar, o barulho que ficou foi o do ventilador e o da água que se derramava na cabeça dela. Ei, como vim parar aqui? Ai(!), por favor, pode trocar? Pode lavar meu cabelo com água fria mesmo.
A moçoila estranhou, mas seguiu o pedido.
De volta à cadeira.
Como vai ser o corte?
Que pergunta (suspiro fraco). Como vai ser a vida? Como vou acordar e continuar amanhã? Como vou jogar fora o que restou deste sentimento? O que vou fazer para tudo passar e passar sem fazer drama? E como vou juntar os pedaços? E o que é novamente, depois de mais madura, conviver com um coração em frangalhos?
Tantas outras perguntas mais importantes sem resposta que já guardava, que a moça não se perturbou em ficar com outra em branco: não sei o corte, disse. Quero uma novidade positiva, só isso, pensou.
Pode ser curto?
Pode mudar para valer?
Ela nem se alterou. Outra vez a eterna discussão. Ele sempre gostou do curto.
Você ia trocar a cor e não o tamanho. Vai parecer que fez para fazê-lo voltar. E você nunca gostou muito da idéia de cortar o cabelo tanto assim. Pode se arrepender duplamente.
Ela questionou a voz infame pela oitava vez no dia. Resolveu que venceria este duelo.
Vou cortar, disse ela.
Curto?
Aham.
Quer escolher o corte?
Faz o que quiser. Só não quero parecer Edward Mãos-de-Tesoura com essa minha cara branca e um cabelo sem jeito.
Ele riu.
Ela confiava no sujeito, fazia sete anos que deixava as madeixas naquele chão a cada trimestre. E ele conhecia bem a cliente: o que aconteceu com você, Vivian?
Na verdade, eu quero que aconteça algo, pensou.
E achou melhor ficar muda e esperar o visual aparecer.
Vinte e um minutos depois, ela pula da cadeira, voa para a porta discretamente.
A novidade não era agora o cabelo, ou a falta dele. Uma mensagem no celular mudava o foco da cena. Ela disfarça, olha o cabelo cuidadosamente no espelho.
Mas quer ver o lado de fora do salão. Será mesmo que me espera?
Ela paga correndo.
Sai e vê de longe as margaridas grandes nas mãos do rapaz, de costas, vestindo camiseta branca e jeans surrado.
Outro arrepio.
Não pode ser.
Você só poderia estar aqui.
Só não pensava que ia te encontrar ainda mais bonita.
Golpe baixo.
Baixíssimo.
Ela se vira para as margaridas.
Pensa no cabelo novo -- ele deve mesmo ter gostado -- e ao mesmo tempo onde está seu carro, quem falou para ele o endereço do salão, o número novo do celular dela, pensa que ele está mais magro, por onde ele andou nesses dois meses, como ele lembrou que ela adora margaridas, que a calça dele é aquela que ela deu de Natal no ano passado...
Pensa que não vai voltar assim fácil, que nem cortou o cabelo por causa dele, COMO vai disfarçar que o coração dela está batendo enlouquecidamente agora. Pensa no que vai falar, pensa se vai aceitar o buquê... pensa tudo ao mesmo tempo, em instantes de segundo e não fala nada, tonta em seus pensamentos.
Ele, calmo, ri do jeito dela, como costumava fazer, como quem já sabe o que passa na cabeça dela. E avisa:
Seu carro está do outro lado, Vivian.
Mas
Mas eu quero ficar aqui.
Ela se mexeu. Ele perguntou: Tá bom aqui?
Ela fez que sim com a cabeça enquanto esperava o moço simples colocar-lhe o avental. Passou outro segundo até que a cena do espelho lhe fez lembrar outra vez que (!)...
Não, já concordastes que não vais pensar outra vez nesta pessoa, que não vais permitir que mais um bobo acontecimento seja motivo de se desculpar em estares com a cabeça nestas lembranças. Já vais replicar: mas é que esse moço está com o perfume dele, mas é que da última vez que passei por aqui ele estava comigo, mas não é culpa minha, me ofereceram a revista para a qual ele escreve!
Ela resolveu colocar os fones no ouvido, talvez essa voz interna, masculina e repressora parasse. Nenhum playlist era neutro. Ou ele gostava ou ela gostava de ouvir com ele; ou ele havia lhe ensinado a apreciar ou ela havia copiado do CD original para ele também...
Quero outra trilha sonora. Agora, pensou.
Fones ao ar, o barulho que ficou foi o do ventilador e o da água que se derramava na cabeça dela. Ei, como vim parar aqui? Ai(!), por favor, pode trocar? Pode lavar meu cabelo com água fria mesmo.
A moçoila estranhou, mas seguiu o pedido.
De volta à cadeira.
Como vai ser o corte?
Que pergunta (suspiro fraco). Como vai ser a vida? Como vou acordar e continuar amanhã? Como vou jogar fora o que restou deste sentimento? O que vou fazer para tudo passar e passar sem fazer drama? E como vou juntar os pedaços? E o que é novamente, depois de mais madura, conviver com um coração em frangalhos?
Tantas outras perguntas mais importantes sem resposta que já guardava, que a moça não se perturbou em ficar com outra em branco: não sei o corte, disse. Quero uma novidade positiva, só isso, pensou.
Pode ser curto?
Pode mudar para valer?
Ela nem se alterou. Outra vez a eterna discussão. Ele sempre gostou do curto.
Você ia trocar a cor e não o tamanho. Vai parecer que fez para fazê-lo voltar. E você nunca gostou muito da idéia de cortar o cabelo tanto assim. Pode se arrepender duplamente.
Ela questionou a voz infame pela oitava vez no dia. Resolveu que venceria este duelo.
Vou cortar, disse ela.
Curto?
Aham.
Quer escolher o corte?
Faz o que quiser. Só não quero parecer Edward Mãos-de-Tesoura com essa minha cara branca e um cabelo sem jeito.
Ele riu.
Ela confiava no sujeito, fazia sete anos que deixava as madeixas naquele chão a cada trimestre. E ele conhecia bem a cliente: o que aconteceu com você, Vivian?
Na verdade, eu quero que aconteça algo, pensou.
E achou melhor ficar muda e esperar o visual aparecer.
Vinte e um minutos depois, ela pula da cadeira, voa para a porta discretamente.
A novidade não era agora o cabelo, ou a falta dele. Uma mensagem no celular mudava o foco da cena. Ela disfarça, olha o cabelo cuidadosamente no espelho.
Mas quer ver o lado de fora do salão. Será mesmo que me espera?
Ela paga correndo.
Sai e vê de longe as margaridas grandes nas mãos do rapaz, de costas, vestindo camiseta branca e jeans surrado.
Outro arrepio.
Não pode ser.
Você só poderia estar aqui.
Só não pensava que ia te encontrar ainda mais bonita.
Golpe baixo.
Baixíssimo.
Ela se vira para as margaridas.
Pensa no cabelo novo -- ele deve mesmo ter gostado -- e ao mesmo tempo onde está seu carro, quem falou para ele o endereço do salão, o número novo do celular dela, pensa que ele está mais magro, por onde ele andou nesses dois meses, como ele lembrou que ela adora margaridas, que a calça dele é aquela que ela deu de Natal no ano passado...
Pensa que não vai voltar assim fácil, que nem cortou o cabelo por causa dele, COMO vai disfarçar que o coração dela está batendo enlouquecidamente agora. Pensa no que vai falar, pensa se vai aceitar o buquê... pensa tudo ao mesmo tempo, em instantes de segundo e não fala nada, tonta em seus pensamentos.
Ele, calmo, ri do jeito dela, como costumava fazer, como quem já sabe o que passa na cabeça dela. E avisa:
Seu carro está do outro lado, Vivian.
Mas
Mas eu quero ficar aqui.
quarta-feira, novembro 8
Campos Semânticos Pessoais
Uma palavra diz e esconde.
Várias palavras sortidas também.
Já perceberam que a peculiaridade de cada pessoa também está nas palavras que ela usa com frequência para se expressar? Chamo de campo semântico pessoal, para quem gosta de siglas, CSP.
Vou enumerar alguns. Vamos ver se vocês reconhecessem os donos ;)
Ready?
...to be continued...
Várias palavras sortidas também.
Já perceberam que a peculiaridade de cada pessoa também está nas palavras que ela usa com frequência para se expressar? Chamo de campo semântico pessoal, para quem gosta de siglas, CSP.
Vou enumerar alguns. Vamos ver se vocês reconhecessem os donos ;)
Ready?
- gente, muito louco -- gela-- suquildo
- combina-- bonitinha-- tá engraçadinha-- ratinhos-- classe três-- pelinha
- frenético-- bolinhas-- frangalhos-- caracas-- speachless
- super-- câmbio-- canela-- ficou legal-- marraio-- esperto do méier
- confia-- chilling-- relaxa-- vacilo
- espetacular-- demais-- dois palitos-- neguetes
...to be continued...
terça-feira, novembro 7
Três frases do dia
"Hoje, acho que o problema da rede não está mais
na invasão de privacidade e sim na evasão de privacidade."
(um comentário que rola no meio cibernético)
==================================
“You can fool some of the people all of the time,
you can fool all of the people some of the time,
but you can't fool all of the people all of the time”.
(An old saying)
==================================
"Una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo."
(da canção de Carlos Varela)
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na invasão de privacidade e sim na evasão de privacidade."
(um comentário que rola no meio cibernético)
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“You can fool some of the people all of the time,
you can fool all of the people some of the time,
but you can't fool all of the people all of the time”.
(An old saying)
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"Una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo."
(da canção de Carlos Varela)
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sábado, novembro 4
Paulinho, do trombone

Aos nove anos, perdeu a mãe. No mesmo ano, seu talento amanhecia. Aluno interno do Instituto Arruda Câmara, fazia parte da equipe de limpeza. Depois de varrer o pátio, corria para a sala de música e ouvia o ensaio da banda, atrás da porta, com a vassoura na mão. Um dia, foi descoberto. “O professor olhou para as minhas feições e me indicou para estudar trombone. Era exatamente o que eu queria tocar.”
Logo o talento tomou corpo, junto com o menino, que ficou adulto mais depressa depois de perder a avó na adolescência. E outra vez a música lhe tira da guarda da solidão: “Eu não tinha nada que me prendesse no Rio. Quando fui convidado para tocar na banda da Orquestra da PMDF, não hesitei, peguei o ônibus naquela semana. Cheguei aqui no dia 23 de dezembro de 1972. Vim sozinho, com coragem e com Deus me abençoando.” Depois, veio o convite para ser membro-fundador da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro (OSTNCS).
terça-feira, outubro 31
Ele me faz rir
Mas ele é horrível, o que você vê nele?, pergunta a amiga, incrédula.
Ele me faz rir. Eu fico olhando para ele e tenho só vontade de rir.
E elas falavam de um peixe, viu?
Veja o peixe telescópio aqui e o outro primo dele aqui
==================================================
Dados sobre eles:
Nome Científico: Carassius auratus
Reino: Animalia
Phylum: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Cypriniformes
Família: Cyprinidae
Carassius auratus (Linnaeus, 1758) auratus.
Nome comum: peixinho-dourado
Descrição morfofisiológica:
O Carassius auratus é um peixe de água doce que tolera pH entre 6 e 8 e temperaturas entre 0 e 41° C. Sua coloração alaranjada é muito caracteristica. Chega a medir no máximo 59 cm de comprimento, podendo pesar no máximo de 3 kg. Sua cabeça é larga e triangular, e não apresenta escamas. O espaço entre os olhos é largo. Não apresenta barbilhos na mandíbula superior. Apresenta uma longa nadadeira dorsal com 15-21 raios, e uma espinha dura e serrilhada que tem origem nas nadadeiras dorsal e anal. A linha lateral é completa, apresentando entre 25 e 31 escamas em série lateral. Os machos são mais finos que as fêmeas. Sua população pode dobrar após 1,4 - 4,4 anos.
Reprodução:
Sexuada
Dieta:
Carnívoro (Uia!)
Detritívoro
Herbívoro
==================================================
Viram só, meu blog também é cultura :)
Ele me faz rir. Eu fico olhando para ele e tenho só vontade de rir.
E elas falavam de um peixe, viu?
Veja o peixe telescópio aqui e o outro primo dele aqui
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Dados sobre eles:
Nome Científico: Carassius auratus
Reino: Animalia
Phylum: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Cypriniformes
Família: Cyprinidae
Carassius auratus (Linnaeus, 1758) auratus.
Nome comum: peixinho-dourado
Descrição morfofisiológica:
O Carassius auratus é um peixe de água doce que tolera pH entre 6 e 8 e temperaturas entre 0 e 41° C. Sua coloração alaranjada é muito caracteristica. Chega a medir no máximo 59 cm de comprimento, podendo pesar no máximo de 3 kg. Sua cabeça é larga e triangular, e não apresenta escamas. O espaço entre os olhos é largo. Não apresenta barbilhos na mandíbula superior. Apresenta uma longa nadadeira dorsal com 15-21 raios, e uma espinha dura e serrilhada que tem origem nas nadadeiras dorsal e anal. A linha lateral é completa, apresentando entre 25 e 31 escamas em série lateral. Os machos são mais finos que as fêmeas. Sua população pode dobrar após 1,4 - 4,4 anos.
Reprodução:
Sexuada
Dieta:
Carnívoro (Uia!)
Detritívoro
Herbívoro
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Viram só, meu blog também é cultura :)
Peixiiinho...
Ela ganhou um peixinho novo.
Que alegria. Daqueles douradinhos.
Juntou com os outros amiguiulos aquáticos no aquário novo também.
Passou uma semana.
A água estava verde.
E a bela menina de cinco anos resolveu que tinha de limpar.
Apanhou o fofo (sabonete) e começou a esfregar com a esponja.
Limpou tudo direitinho, a água já estava bem melhor.
Voltou a ser translúcida.
Ela só esqueceu de tirar os peixinhos de lá.
Os peixinhos nem curtiram o aquário limpo, só deu tempo de fazerem bolinhas de sabão.
========================================
A mesma menina (ela não é a Fenícia) ganhou um pintinho.
Foi mostrar para a amiguinha:
Pegou-o com as duas mãos: olha como ele é fofinh--creck!
E o pintinho ganhou seu último abracinho.
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Que alegria. Daqueles douradinhos.
Juntou com os outros amiguiulos aquáticos no aquário novo também.
Passou uma semana.
A água estava verde.
E a bela menina de cinco anos resolveu que tinha de limpar.
Apanhou o fofo (sabonete) e começou a esfregar com a esponja.
Limpou tudo direitinho, a água já estava bem melhor.
Voltou a ser translúcida.
Ela só esqueceu de tirar os peixinhos de lá.
Os peixinhos nem curtiram o aquário limpo, só deu tempo de fazerem bolinhas de sabão.
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A mesma menina (ela não é a Fenícia) ganhou um pintinho.
Foi mostrar para a amiguinha:
Pegou-o com as duas mãos: olha como ele é fofinh--creck!
E o pintinho ganhou seu último abracinho.
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segunda-feira, outubro 30
Sonho de um filho
Eu, há uns anos, eu tive não uma vontade, mas uma idéia de um filho.
Eu me lembro que estava no Recife na praia de Boa Viagem. Acordei umas 11 horas com um tema de uma música na cabeça.
Fiquei ali no violão um tempo, daí desenvolvi o tema e fui procurar o Vinícius. A gente estava no mesmo hotel, fomos até lá para tocar num show.
Mostrei para ele: Vina escuta aqui um tema que eu estava pensando.
Quando ele ouviu, falou OBA! e me disse: vai para a praia, que quando você voltar talvez tenha uma idéia já pronta para te mostrar.
Aí eu fui, lá para umas quatro da tarde, voltei. Encontrei Vinícius em prantos, já com boa parte da letra pronta. E eu cantarolei assim, à primeira vista, e vi que da metade em diante ele tinha feito a música muito mais para ele...
[Quem contou essa foi Toquinho durante um show ao vivo no Rio -- no qual eu não estava na platéia porque tinha uns dois anos de idade]
Para quem não conhece a canção (linda na voz e violão dele), eis a letra:
É comum a gente sonhar, eu sei,
Quando vem o entardecer;
Pois, eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer.
Vejo um berço e nele eu me debruçar
com um pranto a mim correr
e assim chorando acalentar
o filho que eu quero ter.
Dorme, meu pequenininho
Dorme, que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem.
De repente eu o vejo se transformar
No menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim.
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim.
Dorme, menino levado
Dorme, que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem.
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu,
[Sentir-lhe] a barba me roçar
No derradeiro beijo seu.
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus,
[Ouvir-lhe] a voz a me embalar
Num acalanto de adeus.
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.
Eu me lembro que estava no Recife na praia de Boa Viagem. Acordei umas 11 horas com um tema de uma música na cabeça.
Fiquei ali no violão um tempo, daí desenvolvi o tema e fui procurar o Vinícius. A gente estava no mesmo hotel, fomos até lá para tocar num show.
Mostrei para ele: Vina escuta aqui um tema que eu estava pensando.
Quando ele ouviu, falou OBA! e me disse: vai para a praia, que quando você voltar talvez tenha uma idéia já pronta para te mostrar.
Aí eu fui, lá para umas quatro da tarde, voltei. Encontrei Vinícius em prantos, já com boa parte da letra pronta. E eu cantarolei assim, à primeira vista, e vi que da metade em diante ele tinha feito a música muito mais para ele...
[Quem contou essa foi Toquinho durante um show ao vivo no Rio -- no qual eu não estava na platéia porque tinha uns dois anos de idade]
Para quem não conhece a canção (linda na voz e violão dele), eis a letra:
É comum a gente sonhar, eu sei,
Quando vem o entardecer;
Pois, eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer.
Vejo um berço e nele eu me debruçar
com um pranto a mim correr
e assim chorando acalentar
o filho que eu quero ter.
Dorme, meu pequenininho
Dorme, que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem.
De repente eu o vejo se transformar
No menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim.
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim.
Dorme, menino levado
Dorme, que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem.
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu,
[Sentir-lhe] a barba me roçar
No derradeiro beijo seu.
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus,
[Ouvir-lhe] a voz a me embalar
Num acalanto de adeus.
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.
sexta-feira, outubro 27
Vou de van - parte I
Não sei se há outra palavra que atraia historinhas como VAN em Bsb. Faça o teste entre seus colegas, conte algo com a palavra van e veja o resultado.
Cuidado, depois não me culpe:
Rende - no mínimo - meia hora de histórias tétricas e boas risadas...
Publico aqui uma coletânea, seja sobre a etiqueta ao andar de van, seja sobre episódios factuais, todas elas acontecem nesta cidade linda.
Se você tiver mais historinhas, é só acrescentar ;)
Entre e sente-se à vontade por aqui.
DÁ-TRÊ-SU até o final, DÁ-TRÊ-SU até o final, DÁ-TRÊ-SU até o finaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal
Depois de Rodoviária-PátioBrasil, é o grito mais comum pelos vanboys- como vou chamar aqui os cobradores/abridores de porta/ anunciadores do percurso/ vigias anti-policiais e co-pilotos das vans. Não sei porque sempre se fala mais de uma vez, e muitas vezes bem bem rapidinho. Se o vanboy estiver ainda com voz ou animado, ele completa com a outra frase consagrada: lugar para sentaaar!
Uma vez, um vanboy falou tão mal W3 Sul que um velhinho perguntou:
O senhor vai para o P Sul?
E eu respondi: Não, ele quis dizer dábliu-três-sul mesmo.
Outra vez, estava a van lotada (ok, isso não é novidade) e o vanboy foi chamar: Rodoviária-W3Sul. E se empolgou, completou, não sei se por costume ou se porque ele viu que um monte de gente estava para descer no próximo ponto: tá vazia!
Todo o pessoal que estava dentro da van "vazia" caiu na gargalhada.
ARROCHA!
Mais uma palavra exclusiva de comunicação entre motorista e vanboys.
Significa= pode correr como um louco pois o ônibus tá perto ou pode fazer essa ultrapassagem para sair do ponto ou seguuuura peão.
Tenho medo do arrocha (acho que seria uma boa comunidade no Orkut, será que já existe?). Toda vez que eu escuto arrocha! tenho um frio na barriga, uma vontade de pular a janela misturada com uma reprimida vontade de rir.
Próximadesce
Na falta de cordinha, vai o berro.
Se você quiser descer, grite próximadesce e pronto.
O vanboy vai repetir o seu grito imediatamente depois, só para garantir que o motorista ouviu.
Eu não consigo falar próximadesce. Sou burguesa fresca, falo: moço, vou descer na próxima, tá? E o vanboy faz que sim com a cabeça e repete próximadesce. E toda vez eu penso: que imbecil eu sou, não adianta nada tentar falar frases completas.
Madame vai na frente
Incrível, recentemente descobri que a prática também é universal.
A etiqueta das vans diz que se a mulher estiver com cara-de-madame-- ou seja, escovinha, saia, bolsa e um saltinho-- ela vai na frente.
Muitas vezes o próprio vanboy te convida no ponto: moça, vai na frente tem lugar. Eu não tenho dúvida: melhor que ir abarrotada nos bancos de trás.
Seguuura!
Outro vocábulo de comunicação entre vanboy e motorista.
É usado quando alguém vem lá de longe e faz um gesto que quer entrar.
Em geral, o seguura acontece porque a van está de partida da parada de ônibus.
Então, é sempre acompanhada daquela arrastada de porta e da ginástica antiinércia executada pelo vanboy, que enquanto grita seguuura, vai abrindo a porta e se segurando para não cair para fora da van por causa da freiada.
Dá medo, mas o arrocha! é bem pior.
(Ainda não acabou, depois eu conto mais... as piores estão por vir! )
Cuidado, depois não me culpe:
Rende - no mínimo - meia hora de histórias tétricas e boas risadas...
Publico aqui uma coletânea, seja sobre a etiqueta ao andar de van, seja sobre episódios factuais, todas elas acontecem nesta cidade linda.
Se você tiver mais historinhas, é só acrescentar ;)
Entre e sente-se à vontade por aqui.
DÁ-TRÊ-SU até o final, DÁ-TRÊ-SU até o final, DÁ-TRÊ-SU até o finaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal
Depois de Rodoviária-PátioBrasil, é o grito mais comum pelos vanboys- como vou chamar aqui os cobradores/abridores de porta/ anunciadores do percurso/ vigias anti-policiais e co-pilotos das vans. Não sei porque sempre se fala mais de uma vez, e muitas vezes bem bem rapidinho. Se o vanboy estiver ainda com voz ou animado, ele completa com a outra frase consagrada: lugar para sentaaar!
Uma vez, um vanboy falou tão mal W3 Sul que um velhinho perguntou:
O senhor vai para o P Sul?
E eu respondi: Não, ele quis dizer dábliu-três-sul mesmo.
Outra vez, estava a van lotada (ok, isso não é novidade) e o vanboy foi chamar: Rodoviária-W3Sul. E se empolgou, completou, não sei se por costume ou se porque ele viu que um monte de gente estava para descer no próximo ponto: tá vazia!
Todo o pessoal que estava dentro da van "vazia" caiu na gargalhada.
ARROCHA!
Mais uma palavra exclusiva de comunicação entre motorista e vanboys.
Significa= pode correr como um louco pois o ônibus tá perto ou pode fazer essa ultrapassagem para sair do ponto ou seguuuura peão.
Tenho medo do arrocha (acho que seria uma boa comunidade no Orkut, será que já existe?). Toda vez que eu escuto arrocha! tenho um frio na barriga, uma vontade de pular a janela misturada com uma reprimida vontade de rir.
Próximadesce
Na falta de cordinha, vai o berro.
Se você quiser descer, grite próximadesce e pronto.
O vanboy vai repetir o seu grito imediatamente depois, só para garantir que o motorista ouviu.
Eu não consigo falar próximadesce. Sou burguesa fresca, falo: moço, vou descer na próxima, tá? E o vanboy faz que sim com a cabeça e repete próximadesce. E toda vez eu penso: que imbecil eu sou, não adianta nada tentar falar frases completas.
Madame vai na frente
Incrível, recentemente descobri que a prática também é universal.
A etiqueta das vans diz que se a mulher estiver com cara-de-madame-- ou seja, escovinha, saia, bolsa e um saltinho-- ela vai na frente.
Muitas vezes o próprio vanboy te convida no ponto: moça, vai na frente tem lugar. Eu não tenho dúvida: melhor que ir abarrotada nos bancos de trás.
Seguuura!
Outro vocábulo de comunicação entre vanboy e motorista.
É usado quando alguém vem lá de longe e faz um gesto que quer entrar.
Em geral, o seguura acontece porque a van está de partida da parada de ônibus.
Então, é sempre acompanhada daquela arrastada de porta e da ginástica antiinércia executada pelo vanboy, que enquanto grita seguuura, vai abrindo a porta e se segurando para não cair para fora da van por causa da freiada.
Dá medo, mas o arrocha! é bem pior.
(Ainda não acabou, depois eu conto mais... as piores estão por vir! )
quinta-feira, outubro 26
Para ver essa banda passar

Talvez pelo assunto, pela pessoa, pelo dia, ela tivesse acordado num dia diferente. Talvez pelo cansaço do final do ano a menina, que queria saber tirar fotos com o piscar, estivesse ainda mais cansada.
Sem mais introduções, o encontro que causou esta historinha:
Ela chegou logo de manhã ao teatro. A banda ainda ensaiava. Crianças uniformizadas andavam para lá e para cá com seus instrumentos - seus troféus! - para lá e para cá. Para muitas, a primeira vez na "terra do presidente". Todas saíram, com a música em pastas pretas de folhas de plástico, de um bairro da cidadezinha de Tatuí (140km de SP).
O maestro, o pai-mestre, a esperava para a entrevista.
Ela simplesmente não sabia o que a esperava.
Mais que outra história bonita. Bonita. Com maiúscula.
Um dia, esse moço se levantou e decidiu que os quatro filhos que tinha em casa davam pouco trabalho, decidiu que as aulas no conservatório de música davam pouco trabalho. E foi procurar algo que desse mais trabalho.
Escolheu, com ajuda e aprovação da esposa, uma escola pública de um bairro carente da cidade de Tatuí. Passaram nas salas de aula, chamaram atenção para quem não gostaria de tocar um instrumento. Reuniram "sete ou oito molequinhos" e começaram.
Ele é trompetista e ela percussionista. Era 2002.
Aos poucos, foram os dois comprando mais instrumentos: trompas, trompetes, flautas doces, bumbos, pratos, trombones...
Mais e mais alunos a cada apresentação se juntavam. Quem quisesse participar tinha de garantir nota boa e bom comportamento na escola.
A banda começou a se apresentar em praça pública. Foi chamada para tocar em festas cíveis. Virou ícone da cidade. Não cabia mais no galpão, começou a ensaiar na rua - onde ensaiam até hoje. Veio a capoeira, veio a dança, tarol, saxofone... Chegaram os uniformes. Tudo pago com suor e sacolinha, a ritmo de knock-knock nas portas.
Passaram-se apenas quatro anos.
Agora são mais de 45 integrantes, dos 7 aos 14 anos.
E Mudaram a cultura de uma cidade. Viajaram para São Paulo, Rio, Porto Alegre, Brasília.
Hoje, a banda Lira Tatuí é bi-campeã nacional, bi-campeã sul-americana e foi eleita a 10ª melhor banda pela associação mundial de bandas.
...
Ela soube de tudo isso e mais, da boca do generoso homem que se gastou para fazer o projeto caminhar. Viu esse homem fraquejar ao falar das necessidades e dos sofrimentos, da fome que passam algumas das crianças, da miséria que ele sim conhecia bem melhor que ela.
No final da conversa, outras atividades, ela se dispersou. Toca o telefone, otros assuntos mil a resolver, pautas burocráticas que lhe empedrejam o coração.
Eis que entra, no final da manhã, a banda no palco. Sutil, com meninas doces, olhares de esperança, tocando trombones. Devagarinho, vão entrando os outros, dançando, tocando. O ritmo vai esquentando, a platéia fica quase incrédula.
Então, ela estremece. Não consegue mais fazer as fotos. E não se reconhece (!) nesta reação inesperada. Senta no chão, espera passar, a mão vai parar de tremer. E pára.
Mas dos olhos lhe caem lágrimas.
No pensamento, a preocupação: calma, preciso das fotos!
Asa Branca. A Banda. Uma atrás da outra, as músicas lhe falavam mais.
Ela olha aquelas crianças outra vez, os trechos da entrevistas pilotam seus pensamentos.
Ela chora feito menininha, emocionada de uma forma profunda.
A música ainda vai salvar nosso Brasil, conclui silenciosamente.
Essa arte - a beleza - nos salva.
E quem foi que falou que pobres essas crianças são?
São mais ricas que eu, pensou.
...
Ela sabia que o dia era especial. Se pudesse amarrar toda essa esperança e dar de presente àquela pessoa tão querida, tão amiga, tão especial... Ah, seria o presente ideal!
(Mas nem a foto faria isso possível, ah, disso ela bem sabia.)
quinta-feira, outubro 19
Salvem os cachorros!
[Outra historinha cross-culture...]
Ela não se conformava. Como os chineses tinham o sangue frio de comer cachorro? Sim, para quem (como eu) não sabia, carne canina é uma especiaria na China. Há vários tipos de cachorros, para churrasquinhos, assados, grelhados em diferentes ocasiões.
Naquele dia, ela acordou decidida. Não se pode salvar todos, mas pelo menos um. Pelo menos um. Lá foi ela, na feira, chegou contente pela primeira vez.
Diante dos bichinhos barulhentos, de pelo cinza claro, curto e bem pequeninos, ela parou um instante. Quem seria o felizardo? Quem teria sua salvação comprada a dólares?
Difícil escolha. Então, quase desistia, quando um fortinho olhava para ela. Mais gorduchinho - talvez com pouca auto-estima -- olha para ela quase que conscientemente. The ONE.
A música celestial começa a tocar no coração dela, que bate mais forte ao se aproximar da vendedora, uma senhora com rugas de sol, chapéu na cabeça.
E a sinfonia durou uns 15 segundos.
Ela pediu: quero aquele dali.
A moça de chapéu apontou: este?
Ao mesmo tempo que ela fazia que sim com a cabeça, com aspecto redentor, a moça num gesto rápido, pegou o cachorrinho, torceu o pescoço de uma vez e crack!
Prontinho, aqui está. Ótima escolha, vai ficar delicioso.
Ela olhou incrédula, estática. Mas não teve coragem de pegar o cão. Virou as costas e saiu.
[Outra contada por Fatinha, em terceira pessoa.]
Ela não se conformava. Como os chineses tinham o sangue frio de comer cachorro? Sim, para quem (como eu) não sabia, carne canina é uma especiaria na China. Há vários tipos de cachorros, para churrasquinhos, assados, grelhados em diferentes ocasiões.
Naquele dia, ela acordou decidida. Não se pode salvar todos, mas pelo menos um. Pelo menos um. Lá foi ela, na feira, chegou contente pela primeira vez.
Diante dos bichinhos barulhentos, de pelo cinza claro, curto e bem pequeninos, ela parou um instante. Quem seria o felizardo? Quem teria sua salvação comprada a dólares?
Difícil escolha. Então, quase desistia, quando um fortinho olhava para ela. Mais gorduchinho - talvez com pouca auto-estima -- olha para ela quase que conscientemente. The ONE.
A música celestial começa a tocar no coração dela, que bate mais forte ao se aproximar da vendedora, uma senhora com rugas de sol, chapéu na cabeça.
E a sinfonia durou uns 15 segundos.
Ela pediu: quero aquele dali.
A moça de chapéu apontou: este?
Ao mesmo tempo que ela fazia que sim com a cabeça, com aspecto redentor, a moça num gesto rápido, pegou o cachorrinho, torceu o pescoço de uma vez e crack!
Prontinho, aqui está. Ótima escolha, vai ficar delicioso.
Ela olhou incrédula, estática. Mas não teve coragem de pegar o cão. Virou as costas e saiu.
[Outra contada por Fatinha, em terceira pessoa.]
quarta-feira, outubro 18
Formaturas; sim, nos trajes de preto com faixas coloridas
Me formei.
E no período de formatura, sempre surgem muitas outras, várias, que só facilitam que as maravilhosas frases prontas do tipo "completamos mais uma fase da vida" venham à tona em chorus.
Bom, a historinha que quebra o regime de meses do blog não é a da boca no trombone, mas vamos lá.
Estava na colação de grau de uma amiga. Fui sozinha, naquele esquema: chegando atrasada para ouvir menos chatices iguais de sempre antes do momento de gritar louca e triunfamente o nome da felizarda que me levara até ali.
Sou da comunidade Eu Ouço a Conversa Alheia do Orkut. Infelizmente é um hábito que não tiro... E quando estou só, a conversa dos outros, livre de direitos autorais, vira minha rapidamente.
Ouço os gritos daquela que parece ser a pop star da noite:
CAMILAAAAAA --- UOU!
Já repararam que sempre tem uma sirigaitinha que leva a maior torcida*?
Torcida* de formatura = pessoas vestidas com camisetas no nome dela, balões têm a face dela estampada, pompons, muitos pompons coloridos nas mãos da tia, da vó, da irmãzinha(...), papéis prateados recortadinhos jorram no ar quando o nome dela é pronunciado, fora os apitos, cornetas matracas e tudo o que possa fazer barulho, claro.
Nem me dou o trabalho de olhar para trás, só lamento o lugar que escolhi, logo perto das cheerleaders da popstar. No meio da gritaria, ouço de repente uma voz, meio sem graça, comentar dubiamente:
Gente, acho que não é essa a Camila não.
Parece que a tecla MUTE foi ligada. Um silêncio mortal se instalou e todos rapidamente se sentaram. Eu quase me explodi por segurar o riso.
Depois veio a popstar Camila, a versão verdadeira. Detalhe: ela é loira. A outra, morena.
Muita emoção confunde, é a moral da historinha. Cuidado, não vá estourar os balões à toa.
E no período de formatura, sempre surgem muitas outras, várias, que só facilitam que as maravilhosas frases prontas do tipo "completamos mais uma fase da vida" venham à tona em chorus.
Bom, a historinha que quebra o regime de meses do blog não é a da boca no trombone, mas vamos lá.
Estava na colação de grau de uma amiga. Fui sozinha, naquele esquema: chegando atrasada para ouvir menos chatices iguais de sempre antes do momento de gritar louca e triunfamente o nome da felizarda que me levara até ali.
Sou da comunidade Eu Ouço a Conversa Alheia do Orkut. Infelizmente é um hábito que não tiro... E quando estou só, a conversa dos outros, livre de direitos autorais, vira minha rapidamente.
Ouço os gritos daquela que parece ser a pop star da noite:
CAMILAAAAAA --- UOU!
Já repararam que sempre tem uma sirigaitinha que leva a maior torcida*?
Torcida* de formatura = pessoas vestidas com camisetas no nome dela, balões têm a face dela estampada, pompons, muitos pompons coloridos nas mãos da tia, da vó, da irmãzinha(...), papéis prateados recortadinhos jorram no ar quando o nome dela é pronunciado, fora os apitos, cornetas matracas e tudo o que possa fazer barulho, claro.
Nem me dou o trabalho de olhar para trás, só lamento o lugar que escolhi, logo perto das cheerleaders da popstar. No meio da gritaria, ouço de repente uma voz, meio sem graça, comentar dubiamente:
Gente, acho que não é essa a Camila não.
Parece que a tecla MUTE foi ligada. Um silêncio mortal se instalou e todos rapidamente se sentaram. Eu quase me explodi por segurar o riso.
Depois veio a popstar Camila, a versão verdadeira. Detalhe: ela é loira. A outra, morena.
Muita emoção confunde, é a moral da historinha. Cuidado, não vá estourar os balões à toa.
terça-feira, julho 18
segunda-feira, julho 3
Pout-porri bahiano: verdadeiro e sem preconceito
Salvador
Fui comprar um picolé numa vendinha dessas, tipo pequena lanchonete, perto da Igreja, da praça. Cheguei lá e vi, como se tivesse saído de uma caricatura, a figura que era o atendente.
Sentado dentro do balcão, com os pés por cima da bancada e cabeça abaixada, meio cochilando.
Eu pergunto: Ô moço, quanto custa o picolé?
A resposta demora alguns segundos, mas sai: ÉÉ tá escrito aí, tá não?
Eu digo: Não, moço, não tem nada aqui.
Ele nem pisca, nem move a cabeça, nem vê que tenho quase 2 metros de altura. E na demora habitual, retruca:
Ah, é um Real. E deixa o trocado ali em cima da caixa, sim?
***
Porto Seguro
Decidimos que estávamos com sede, mas de suco de maracujá. No menu, parecia a melhor opção de sucos. Pedimos para nós três.
Tudo bem que ninguém estava com pressa, mas depois de 35 minutos, a paciência foi perdendo a validade. A gente fingia que nem era tudo isso, conversávamos sobre o passeio, a noitada anterior e pronto.
Com 40 minutos chegaram os sucos - eram laranja-avermelhado (!). Foi só uma provar para as outras duas nem criarem coragem de tentar. Estava com gosto salgado, um pouco mais amargo que o normal. E tinha sido adoçado(!).
Delicadamente, perguntamos ao garçom se tinha trazido os sucos certos. Ele nem disfarçou. Percebeu na hora o ocorrido e recolheu os copos. Dez minutos depois, volta com a bandeja carregada e nos diz:
As moças que desculpem. Da próxima vez a gente vai lavar o liquidificador.
****
Ilhéus
Mais um suco refrescante de laranja, moça.
Ei, mas eu pedi sem açúcar.
Ah bom, é só não mexê com a colher.
Fui comprar um picolé numa vendinha dessas, tipo pequena lanchonete, perto da Igreja, da praça. Cheguei lá e vi, como se tivesse saído de uma caricatura, a figura que era o atendente.
Sentado dentro do balcão, com os pés por cima da bancada e cabeça abaixada, meio cochilando.
Eu pergunto: Ô moço, quanto custa o picolé?
A resposta demora alguns segundos, mas sai: ÉÉ tá escrito aí, tá não?
Eu digo: Não, moço, não tem nada aqui.
Ele nem pisca, nem move a cabeça, nem vê que tenho quase 2 metros de altura. E na demora habitual, retruca:
Ah, é um Real. E deixa o trocado ali em cima da caixa, sim?
***
Porto Seguro
Decidimos que estávamos com sede, mas de suco de maracujá. No menu, parecia a melhor opção de sucos. Pedimos para nós três.
Tudo bem que ninguém estava com pressa, mas depois de 35 minutos, a paciência foi perdendo a validade. A gente fingia que nem era tudo isso, conversávamos sobre o passeio, a noitada anterior e pronto.
Com 40 minutos chegaram os sucos - eram laranja-avermelhado (!). Foi só uma provar para as outras duas nem criarem coragem de tentar. Estava com gosto salgado, um pouco mais amargo que o normal. E tinha sido adoçado(!).
Delicadamente, perguntamos ao garçom se tinha trazido os sucos certos. Ele nem disfarçou. Percebeu na hora o ocorrido e recolheu os copos. Dez minutos depois, volta com a bandeja carregada e nos diz:
As moças que desculpem. Da próxima vez a gente vai lavar o liquidificador.
****
Ilhéus
Mais um suco refrescante de laranja, moça.
Ei, mas eu pedi sem açúcar.
Ah bom, é só não mexê com a colher.
sábado, junho 24
Engenheiros...
Escola Politécnica de São Paulo. Aula de Teoria das Estruturas.
Entra, atrasado, Rogérinho às 8h15 da manhã num dia de setembro. Era a turma de 76.
O professor olha meio atravessado, com ar de piada e seriedade que lhe eram próprios e manda bala:
Aluno, em seu relógio não há corda?
E Rogerinho, com a irreverência e destreza de sempre, responde na lata:
Mestre, não há mola.
As gargalhadas chaquoalharam até os ombros do professor.
[mais uma contada pela Lenise...]
Entra, atrasado, Rogérinho às 8h15 da manhã num dia de setembro. Era a turma de 76.
O professor olha meio atravessado, com ar de piada e seriedade que lhe eram próprios e manda bala:
Aluno, em seu relógio não há corda?
E Rogerinho, com a irreverência e destreza de sempre, responde na lata:
Mestre, não há mola.
As gargalhadas chaquoalharam até os ombros do professor.
[mais uma contada pela Lenise...]
domingo, junho 18
Semana light
Pô, até que essa semana o trampo foi light.
Aé, Breno, porquê?
Faz uns três dias que eu não fotografo presunto. Tá bom.
[Diálogo com Breno Fontes, outro lambe-lambe do Correio Braziliense.]
Aé, Breno, porquê?
Faz uns três dias que eu não fotografo presunto. Tá bom.
[Diálogo com Breno Fontes, outro lambe-lambe do Correio Braziliense.]
sexta-feira, junho 16
Futebol sem foto
Fui cobrir a final do campeonato goiano. Era o clássico Vila X Goiás.
Eu simplesmente o-d-e-i-o o Goiás. Mal podia esperar pelo jogo.
Saí mais cedo da redação para pegar um bom lugar.
Passou uns minutos do primeiro tempo e o Vila marcou um golaço. Pulei, gritei, me descontrolei tanto que ... quanto todo mundo sentou, pensei: Cacete, não fiz a foto!
Um calafrio passou pela minha espinha. Como ia chegar no jornal sem a foto?
Para a minha sorte -- ou meu azar -- o Vila perdeu por 2x1. E acabei fazendo as fotos dos gols do Goiás. Ninguém percebeu que não tinha a foto do gol do Vila.
Aquela foi por pouco.
[Essa quem contou foi o Edilson, fotógrafo do Correio Braziliense.]
Eu simplesmente o-d-e-i-o o Goiás. Mal podia esperar pelo jogo.
Saí mais cedo da redação para pegar um bom lugar.
Passou uns minutos do primeiro tempo e o Vila marcou um golaço. Pulei, gritei, me descontrolei tanto que ... quanto todo mundo sentou, pensei: Cacete, não fiz a foto!
Um calafrio passou pela minha espinha. Como ia chegar no jornal sem a foto?
Para a minha sorte -- ou meu azar -- o Vila perdeu por 2x1. E acabei fazendo as fotos dos gols do Goiás. Ninguém percebeu que não tinha a foto do gol do Vila.
Aquela foi por pouco.
[Essa quem contou foi o Edilson, fotógrafo do Correio Braziliense.]
sexta-feira, junho 9
quinta-feira, junho 8
21 Trombones e 1 novo amor
Já eram mais de nove da noite e o Flávio tocava o interfone. Vambora! O show começa daqui a 30 minutos. Show? Ãhn?
Não tinha planejado ir ao Clube do Choro. Flávio subiu e me disse que não sairia até que eu me arrumasse. Mas, Flávio, você tá solteiro agora, se eu for com você, ninguém vai te dar bola. Não adiantou. Ele insistia com todos os argumentos: você não pode perder o trombonista que vai tocar hoje, o cara é sensacional. Eu fui.
Ao entrar, meus olhos se cruzaram com os dele. De primeira. Uma vez de sopetão e depois várias consentidas. Quando ele começou a tocar - nossa! - adorei, não precisava mais disfarçar que olhava para ele.
No intervalo, ele se aproximou para cumprimentar o Flávio. E fomos apresentados. Minhas pernas já cambaleavam.
***
Não podia deixar passar mais de uma semana, senão a coisa perdia o encanto. Me admirei da artista plástica - tão branquinha e de sorriso maroto - gostar de jazz e música erudita daquele jeito.
Tinha que dar um jeito de nos vermos de novo, pensava. Como os discos em vinil já eram rarirade e ela tinha comentou que colecionava uns clássicos do jazz, aproveitei a deixa para nos encontrarmos.
Fui até a casa dela. E, claro, era parte da promessa, levei meus vinis favoritos: Chat Baker, Anturo Sandoval, JJ Johnson, Ivan Lins, Sérgio Mendes & Bossa Rio e os 21 Trombones de Urbie Green.
Ela tinha todos menos o último. Ainda bem, alguma novidade eu levei. Me surpreendi que tivesse gosto para música parecido com o meu. E completou: eu gosto de ouvir enquanto pinto os meus quadros.
Esse foi o golpe final. Não tinha mais volta, pensei. Aliás tinha sim: ela me pediu os 21 trombones emprestado e eu, depois, em troco, ganhei um novo amor.
[O casal que me contou essa historinha está junto até hoje, já se foram nove anos]
Não tinha planejado ir ao Clube do Choro. Flávio subiu e me disse que não sairia até que eu me arrumasse. Mas, Flávio, você tá solteiro agora, se eu for com você, ninguém vai te dar bola. Não adiantou. Ele insistia com todos os argumentos: você não pode perder o trombonista que vai tocar hoje, o cara é sensacional. Eu fui.
Ao entrar, meus olhos se cruzaram com os dele. De primeira. Uma vez de sopetão e depois várias consentidas. Quando ele começou a tocar - nossa! - adorei, não precisava mais disfarçar que olhava para ele.
No intervalo, ele se aproximou para cumprimentar o Flávio. E fomos apresentados. Minhas pernas já cambaleavam.
***
Não podia deixar passar mais de uma semana, senão a coisa perdia o encanto. Me admirei da artista plástica - tão branquinha e de sorriso maroto - gostar de jazz e música erudita daquele jeito.
Tinha que dar um jeito de nos vermos de novo, pensava. Como os discos em vinil já eram rarirade e ela tinha comentou que colecionava uns clássicos do jazz, aproveitei a deixa para nos encontrarmos.
Fui até a casa dela. E, claro, era parte da promessa, levei meus vinis favoritos: Chat Baker, Anturo Sandoval, JJ Johnson, Ivan Lins, Sérgio Mendes & Bossa Rio e os 21 Trombones de Urbie Green.
Ela tinha todos menos o último. Ainda bem, alguma novidade eu levei. Me surpreendi que tivesse gosto para música parecido com o meu. E completou: eu gosto de ouvir enquanto pinto os meus quadros.
Esse foi o golpe final. Não tinha mais volta, pensei. Aliás tinha sim: ela me pediu os 21 trombones emprestado e eu, depois, em troco, ganhei um novo amor.
[O casal que me contou essa historinha está junto até hoje, já se foram nove anos]
terça-feira, junho 6
Objeto apreendido
Eu não queria comprar aquilo. Era barulho demais para o meu gosto. Mas ela me insistiu que na Copa seria perfeito. Não resisti aos olhos de cachorrinho perdido da Carol. Comprei dela ali mesmo, no caminho do aeroporto, nem deu tempo de colocar na mala.
Mal sabia eu da fria que me metia.
Cheguei em Congonhas e, depois de fazer o check-in, fui barrada na fila do embarque.
Senhora, este objeto é inflamável. Não pode entrar no avião. Vai ter de ser apreendido. Me avisa a moça de voz programada. Nem insisto, não vale a pena. A buzina custou apenas R$ 10 e eu nem queria levar isso para Brasília mesmo, comentei com minha colega que me acompanhava.
A moça de voz programada se compadeceu. Deve ser espírito de Copa. Ela me aconselha a despachar no check-in, junto com as malas.
Lá vou eu correndo. Cheguei no balcão, outra voz programada. Este objeto tem de ir num pacote. Preencha esta ficha por favor. Ok, só mais umas linhas e pronto.
Voltei para a fila de embarque e percebi que todo o avião estava só me esperando. Tudo por uma buzina. Minha amiga Cláudia dá risada quando me vê entrar.
Em Brasília, fico sozinha com as malas rodando. E rio de mim mesma. Se alguém sabe que estou a esperar uma buzina...
Nada. Desisti. Quer dizer, quase.
Estou caminhando para a saída do saguão quando um rapaz me chama: A senhora está esperando um objeto apreendido?
É, eu acho que sim.
Então, venha comigo. Chegando em uma salinha, sou informada de que o objeto terá de ser entregue no meu endereço. Mais uma ficha é preenchida.
Ao sair de lá, sem a minha buzina e com mais de meia hora de espera diante da burocracia, ouço o guardinha cochichar: então, descobriu quem era dono da arma? O outro ri: era aquela moça ali e... não era uma arma, e sim, uma buzina.
Depois de uma semana: a buzina voltou para SP pois foi identificada como objeto apreendido. E me disseram que já estão providenciando (sic) para que ela chegue à minha residência.
Só quero ver.
Melhor, só quero ouvir o berro. E espero que seja antes do dia 13.
[Essa quem me contou foi Fernanda Gomes.]
Mal sabia eu da fria que me metia.
Cheguei em Congonhas e, depois de fazer o check-in, fui barrada na fila do embarque.
Senhora, este objeto é inflamável. Não pode entrar no avião. Vai ter de ser apreendido. Me avisa a moça de voz programada. Nem insisto, não vale a pena. A buzina custou apenas R$ 10 e eu nem queria levar isso para Brasília mesmo, comentei com minha colega que me acompanhava.
A moça de voz programada se compadeceu. Deve ser espírito de Copa. Ela me aconselha a despachar no check-in, junto com as malas.
Lá vou eu correndo. Cheguei no balcão, outra voz programada. Este objeto tem de ir num pacote. Preencha esta ficha por favor. Ok, só mais umas linhas e pronto.
Voltei para a fila de embarque e percebi que todo o avião estava só me esperando. Tudo por uma buzina. Minha amiga Cláudia dá risada quando me vê entrar.
Em Brasília, fico sozinha com as malas rodando. E rio de mim mesma. Se alguém sabe que estou a esperar uma buzina...
Nada. Desisti. Quer dizer, quase.
Estou caminhando para a saída do saguão quando um rapaz me chama: A senhora está esperando um objeto apreendido?
É, eu acho que sim.
Então, venha comigo. Chegando em uma salinha, sou informada de que o objeto terá de ser entregue no meu endereço. Mais uma ficha é preenchida.
Ao sair de lá, sem a minha buzina e com mais de meia hora de espera diante da burocracia, ouço o guardinha cochichar: então, descobriu quem era dono da arma? O outro ri: era aquela moça ali e... não era uma arma, e sim, uma buzina.
Depois de uma semana: a buzina voltou para SP pois foi identificada como objeto apreendido. E me disseram que já estão providenciando (sic) para que ela chegue à minha residência.
Só quero ver.
Melhor, só quero ouvir o berro. E espero que seja antes do dia 13.
[Essa quem me contou foi Fernanda Gomes.]
segunda-feira, maio 15
Márcia e Roberto
Sabe essas pessoas que não gostam do nome? E o rejeitam tanto que só a carteira de identidade parece chamá-los com o nome verdadeiro? Chama-se Jandira e o apelido é Tica. A Eliete vira Lili. O Rosenval quer ser conhecido por Rogério. E daí vai...
A moça que trabalhava lá em casa era Ignácia até os onze anos de idade. Àquela altura, aos 21, ela só respondia por Márcia. Nada pareceu ser obstáculo a isso até que veio o Roberto. O namoro foi dando certo, dando certo até chegar o dia das alianças de noivado.
O drama começou na consciência da Márcia. Ele tinha que saber que o nome dela era outro. Vai ser amanhã, dona, prometo. Era o que me afirmava toda vez que eu perguntava se o Roberto já sabia da Ignácia. Mas nada.
Passaram-se quatro meses desde aquele setembro. Roberto queria abrir uma conta-poupança para fazer o pé de meia. E quando ele sugeriu que fosse conjunta, ela preveu o momento decisivo. Ele vai saber, ele vai pedir meus documentos.
Um calafrio estranho, sem tremedeiras subiu na espinha de Márcia. Ela percebeu que era agora ou nunca. Ai, bem, temos de fazer isso? Abre a conta só no teu nome, vai. Tentou se livrar. Ele estranhou muito. E insistiu.
Outro tremilique interno. Agora, o estômago começou a ser atacado também. Borboletas pareciam voar lá por dentro e ela não conseguia mas esconder o nervoso.
O que te acontece, Márcia? Ele perguntou.
Ela disse na lata: nada de Márcia. Eu tenho outro nome. Nunca te falei. É que tenho vergonha dele, sabe?
Pronto. O furo foi aberto, a bolha explodiu e ela se sentia mais leve.
Ele pasmo, embranqueceu.
Eu também. Mas eu também tenho outro nome.
Sério? Ela falou baixinho, como quem ainda quer acreditar se ouviu bem.
Qual é, Roberto?
Mas me fala o seu primeiro, então.
Ignácia. Minha mãe queria que eu me chamasse Ignácia.
Ele não conseguiu controlar a gargalhada nervosa. E ela, me contou, foi ficando com uma mistura de raiva e curiosidade.
Pára de rir. Pára de rir, Roberto, e me fala o seu logo.
Desculpa, Ignácia, é que quase não dá para acreditar.
Meu nome é Ignácio.
A moça que trabalhava lá em casa era Ignácia até os onze anos de idade. Àquela altura, aos 21, ela só respondia por Márcia. Nada pareceu ser obstáculo a isso até que veio o Roberto. O namoro foi dando certo, dando certo até chegar o dia das alianças de noivado.
O drama começou na consciência da Márcia. Ele tinha que saber que o nome dela era outro. Vai ser amanhã, dona, prometo. Era o que me afirmava toda vez que eu perguntava se o Roberto já sabia da Ignácia. Mas nada.
Passaram-se quatro meses desde aquele setembro. Roberto queria abrir uma conta-poupança para fazer o pé de meia. E quando ele sugeriu que fosse conjunta, ela preveu o momento decisivo. Ele vai saber, ele vai pedir meus documentos.
Um calafrio estranho, sem tremedeiras subiu na espinha de Márcia. Ela percebeu que era agora ou nunca. Ai, bem, temos de fazer isso? Abre a conta só no teu nome, vai. Tentou se livrar. Ele estranhou muito. E insistiu.
Outro tremilique interno. Agora, o estômago começou a ser atacado também. Borboletas pareciam voar lá por dentro e ela não conseguia mas esconder o nervoso.
O que te acontece, Márcia? Ele perguntou.
Ela disse na lata: nada de Márcia. Eu tenho outro nome. Nunca te falei. É que tenho vergonha dele, sabe?
Pronto. O furo foi aberto, a bolha explodiu e ela se sentia mais leve.
Ele pasmo, embranqueceu.
Eu também. Mas eu também tenho outro nome.
Sério? Ela falou baixinho, como quem ainda quer acreditar se ouviu bem.
Qual é, Roberto?
Mas me fala o seu primeiro, então.
Ignácia. Minha mãe queria que eu me chamasse Ignácia.
Ele não conseguiu controlar a gargalhada nervosa. E ela, me contou, foi ficando com uma mistura de raiva e curiosidade.
Pára de rir. Pára de rir, Roberto, e me fala o seu logo.
Desculpa, Ignácia, é que quase não dá para acreditar.
Meu nome é Ignácio.
sexta-feira, maio 12
Uma caneta perdida
Ela é pianista. Sevillana de berço.
Já morou na Suíça, Canadá, França...
Deu aula de piano por todas as cidades que passou ao acompanhar a vida de diplomata do marido.
No Brasil, se encanta com a rapidez do desenvolvimento musical dos talentos de seus alunos.
Depois da entrevista, saio em outro planeta.
Ela sim, deve ter muitas historinhas para contar e já conto aqui outras dela.
Deixo, no banco amarelo, minha caneta roxa.
Ela me devolve com um sorriso contemplativo: Você deixou sua caneta.
Eu respondo: Sempre deixo canetas por aí.
Ela prevê: Já vejo que és artista, artistas sempre perdem as canetas, os dias da semana...
Eu rio comigo mesma. Sou distraída, isso sim.
Já morou na Suíça, Canadá, França...
Deu aula de piano por todas as cidades que passou ao acompanhar a vida de diplomata do marido.
No Brasil, se encanta com a rapidez do desenvolvimento musical dos talentos de seus alunos.
Depois da entrevista, saio em outro planeta.
Ela sim, deve ter muitas historinhas para contar e já conto aqui outras dela.
Deixo, no banco amarelo, minha caneta roxa.
Ela me devolve com um sorriso contemplativo: Você deixou sua caneta.
Eu respondo: Sempre deixo canetas por aí.
Ela prevê: Já vejo que és artista, artistas sempre perdem as canetas, os dias da semana...
Eu rio comigo mesma. Sou distraída, isso sim.
segunda-feira, maio 8
Pechincha na calculadora
Me disseram que não teria outro lugar que a feira para comprar aquele HD portátil de 50 giga de memória em Taiwan. Eu só falava inglês, além do português.
Naquela quarta chuvosa o camarada chinês que me fazia as vezes de intéprete não poderia ir comigo. E era minha última oportunidade. Peguei o táxi com o endereço anotado em desenhos para mostrar ao motorista.
Cheguei a feira com minha capa de chuva amarela muito discreta (!) e uma única recomendação na cabeça: olha não aceite o primeiro número que o vendedor te apresentar na calculadora.
Sim, você não leu errado. Naquele comércio paralelo não havia etiquetas com preços. Tudo era acordado na hora, cara a cara. Com os estrangeiros, a técnica é uma mistra de imagem e ação. Você chega, aponta teu produto e depois faz o gesto internacional de dindin com os dedos. O vendedor pega a calculadora e escreve o preço em dólares. Você pega a calculadora e aponta o seu preço. E o duelo começa. Até que ele balança a cabeça num acordo.
E eu, que sempre detestei essa de pechinchar valores, já fui me preparando para não dar uma de turista otário.
Quando pedi -- não me pergunte como -- por um HD portátil que era lançamento na época, com mais gigas de memória, o rapaz muito contente, o que me deixou cabreiro, foi buscar pois não estava nas prateleiras da frente da lojica. Quando voltou, me deu a calculadora.
Sem preço. E apontou para mim num gesto: e você, quanto está disposto pagar?
Eu gelei. Não tinha noção. E se eu pagasse muito? E se meu valor fosse exageradamente baixo e ele desconfiasse que eu não tinha muito claro o quanto aquilo valia, já que se tratava de um lançamento?
Insisti para que ele me desse um valor. Ele riu marotamente e fez que não.
Decidi não arriscar e comprei outro, de menos memória a um preço muito bom. Não me arrependo. Já sou muito azarado, não queria dar mais chance a acaso.
[essa quem contou foi a Lenise, dona das melhores estórias, mas aconteceu com um colega dela.]
Naquela quarta chuvosa o camarada chinês que me fazia as vezes de intéprete não poderia ir comigo. E era minha última oportunidade. Peguei o táxi com o endereço anotado em desenhos para mostrar ao motorista.
Cheguei a feira com minha capa de chuva amarela muito discreta (!) e uma única recomendação na cabeça: olha não aceite o primeiro número que o vendedor te apresentar na calculadora.
Sim, você não leu errado. Naquele comércio paralelo não havia etiquetas com preços. Tudo era acordado na hora, cara a cara. Com os estrangeiros, a técnica é uma mistra de imagem e ação. Você chega, aponta teu produto e depois faz o gesto internacional de dindin com os dedos. O vendedor pega a calculadora e escreve o preço em dólares. Você pega a calculadora e aponta o seu preço. E o duelo começa. Até que ele balança a cabeça num acordo.
E eu, que sempre detestei essa de pechinchar valores, já fui me preparando para não dar uma de turista otário.
Quando pedi -- não me pergunte como -- por um HD portátil que era lançamento na época, com mais gigas de memória, o rapaz muito contente, o que me deixou cabreiro, foi buscar pois não estava nas prateleiras da frente da lojica. Quando voltou, me deu a calculadora.
Sem preço. E apontou para mim num gesto: e você, quanto está disposto pagar?
Eu gelei. Não tinha noção. E se eu pagasse muito? E se meu valor fosse exageradamente baixo e ele desconfiasse que eu não tinha muito claro o quanto aquilo valia, já que se tratava de um lançamento?
Insisti para que ele me desse um valor. Ele riu marotamente e fez que não.
Decidi não arriscar e comprei outro, de menos memória a um preço muito bom. Não me arrependo. Já sou muito azarado, não queria dar mais chance a acaso.
[essa quem contou foi a Lenise, dona das melhores estórias, mas aconteceu com um colega dela.]
sexta-feira, maio 5
Sobe?
Segundo andar. Sobe.
-- Ai coitada dessa moça, não descansa nem no final de semana. Já são mais de oito da noite e ela ainda está aqui.
Comento eu, a jornalista mais sem noção dessa história. No elevador uma menininha linda e super delicada já vem a meu socorro.
-- Não tia. Essa voz é gravada.
E eu não sei mentir nem disfarcei: ah, que bom. E dei risada.
[essa quem contou foi a Luciana.]
-- Ai coitada dessa moça, não descansa nem no final de semana. Já são mais de oito da noite e ela ainda está aqui.
Comento eu, a jornalista mais sem noção dessa história. No elevador uma menininha linda e super delicada já vem a meu socorro.
-- Não tia. Essa voz é gravada.
E eu não sei mentir nem disfarcei: ah, que bom. E dei risada.
[essa quem contou foi a Luciana.]
quarta-feira, maio 3
Baratas voadoras comem pizzas
O cenário é o de uma pizzaria abarrotada de gente. Há grupos para todos os lados. Gente que veio comemorar o aniversário, amigos confraternizando amigo oculto... Ninguém vem sozinho a uma pizzaria. Quer dizer, nem a dois ou a três.
Naquela bagunça de vozes altas cantando Parabéns pra você, molequinhos vendendo flores e balinhas estivemos lá, todo o time de futebol de salão e mais algumas respectivas namoradas. E a nossa mesa loooonga, daquelas brancas de plástico, ficou do lado de fora da extinta Piano Pizza.
Passaram-se algumas horas -- e muitas pizzas -- até as baratas começarem a cair sem pára-quedas. Sério. Houve uma enxurrada de baratas na nossa mesa. Elas pareciam vir do toldo de plástico da pizzaria, numa habilidade genuína de quem pratica bungee-jump.
Um certo pavor nos desconcertou. O susto foi tão grande que ninguém gritou. Afastamos as mesas rapidamente. Daí a cena mais engraçada: os garçons começaram a correr atrás das baratas desesperadamente.
Quando tudo voltou ao quase-normal e algumas pessoas resolveram continuar a comer, já que os pratos não tinham sido atingidos. Mas eu percebi que começamos a comer com mais pressa, como quem pensa em sair logo dali.
Então veio a voadora. Ela caiu do toldo e num vôo rasante, passou por cima das pizzas, cruzou a pista e foi parar direto na cozinha do restaurante, muita gente viu e foi um alvoroço.
-- Caramba! Olha lá olha lá... e todas as cabeças olhando as baratinhas.
Não me esqueço desta cena. Foi incrível.
Moral da história: jamais peça pizza de rúcula com tomate seco porque o aspecto murchinho e brilhoso do tomate lembra uma baratinha. Que local perfeito para camuflagem!
[quem me contou foi o Bernardo.]
Naquela bagunça de vozes altas cantando Parabéns pra você, molequinhos vendendo flores e balinhas estivemos lá, todo o time de futebol de salão e mais algumas respectivas namoradas. E a nossa mesa loooonga, daquelas brancas de plástico, ficou do lado de fora da extinta Piano Pizza.
Passaram-se algumas horas -- e muitas pizzas -- até as baratas começarem a cair sem pára-quedas. Sério. Houve uma enxurrada de baratas na nossa mesa. Elas pareciam vir do toldo de plástico da pizzaria, numa habilidade genuína de quem pratica bungee-jump.
Um certo pavor nos desconcertou. O susto foi tão grande que ninguém gritou. Afastamos as mesas rapidamente. Daí a cena mais engraçada: os garçons começaram a correr atrás das baratas desesperadamente.
Quando tudo voltou ao quase-normal e algumas pessoas resolveram continuar a comer, já que os pratos não tinham sido atingidos. Mas eu percebi que começamos a comer com mais pressa, como quem pensa em sair logo dali.
Então veio a voadora. Ela caiu do toldo e num vôo rasante, passou por cima das pizzas, cruzou a pista e foi parar direto na cozinha do restaurante, muita gente viu e foi um alvoroço.
-- Caramba! Olha lá olha lá... e todas as cabeças olhando as baratinhas.
Não me esqueço desta cena. Foi incrível.
Moral da história: jamais peça pizza de rúcula com tomate seco porque o aspecto murchinho e brilhoso do tomate lembra uma baratinha. Que local perfeito para camuflagem!
[quem me contou foi o Bernardo.]
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