Foram mais de dois anos em distância. Sem novidades. Ou telefonemas, sms, esquece.
E a vida, num dia de sol sorrindo, lhe traz a surpresa.
Chega em casa com o buquê de flores, nas mãos do ex-namorado.
Depois do silêncio, vem outra tentativa.
Ela nem pensa. Senta e diz, o que?
Depois de meia hora sem convencer, ele lança o melhor argumento:
-- É que você não entende. Você é feia, mas eu gosto de você mesmo assim.
terça-feira, agosto 24
sábado, junho 19
3 filmes e a desculpa, por favor
Ela estacionou longe o carro. Andou devagar. Era um passo de consolo e de força. De quem quer dar tempo ao pensamento, ainda que o tema não tenha variado ultimamente como ela queria. Chegou na locadora para preencher a sexta-feira. Quem sabe, talvez também, o sábado.
E com o olhar pesado, voltou-se para as prateleiras. Só que antes o olhar lhe furtou uma imagem atraente. Passeou pelo corte da calça, cor da camisa, punhos dobrados, mãos expressivas e chegou no olhar, esse o ganhador do atraente adjetivo. Bem aqui na minha locadora?
Rápido, disfarça, se concentra nos filmes e diretores. Sempre me esqueço qual quero ver, e a lista fica em casa. Pensa alto. O rapaz, claro, em pé, ao lado dela, que também usa a dúvida para despistar, responde e não é sempre assim?
E ninguém reclamou quando a atendente avisa que ao alugar 3 filmes, você pode levar mais um, de graça. Mais tempo, mais ensaio, outro papo.
Ela sai de lá sem número, só com o nome na cabeça. Se despede, e usa a recente informação roubada. O rapaz, pressentindo, assume o sorriso sem culpa e acena.
Ela sorri e pensa, não tenho mesmo jeito para discrição.
Dois dias depois, o bilhete. Bilhete? E se usa isso? Ainda bem que tem gente mais desencanada no mundo, pensa ela. E volta para o carro, com a deliciosa pergunta na segunda-feira: ligo hoje ou amanhã?
sexta-feira, junho 4
Sobre lentilhas, abóboras e amigas
Primeira vez na casa dela. Uma amiga em comum a colocou ao lado da vizinha de quadra. Ali estava, depois de um domingo de angústia. Na entrada, vê livros em comum na estante. Depois, chás da marca preferida. E na parede, fotos da época em que a desconhecida dançava ballet.
Em menos de 30 segundos, vários campos em comum. Sem falar na mesma profissão. Sorriu de canto. Se tem uma coisa que ela aprendeu era bater e ver uma boa amizade a se formar.
A nova amiga estava na cozinha. Cortava uma abóbora japonesa com esforço. E o vinho, em cima da mesa, estava aberto e pronto a ser servido. Ia ser uma conversa interessante.
[E o foi. O papo, queridos 8 leitores, vai ficar em off, desta vez. Quero hoje contar da abóbora.]
Depois de cortar, levou ao fogo, avisando às visitantes: vou fazer uma sopa de abóbora com lentilhas. Topam?
Chegou, depois de um tempo, a hora de experimentar. Após os pratos esvaziarem, a surpresa para a mestre-cuca veio.
Uma comenta: eu não gosto de abóbora.
E ela: sempre deixo lentilha de lado.
Mas, naquela noite, depois da carinhosa recepção, não tinha nem porque não tentar. E sorriram todas com a descoberta. Amizade não tem receita.
quarta-feira, junho 2
De volta
Faz tempo que minha palavra se enfeitiçou
Saía bonita só para visitar-te
Sentia-se fina para alegrar-te
Aparecia repentina exclusivamente para cortejar-te
Mas minha palavra, sábia
Percebeu, antes do coração, que precisava universalizar-se
Cansou da covardia de não se libertar
Minha palavra lhe deixou
Bem depois do seu adeus.
Meu coração insistiu, brigou, e a fez voltar
E ela, metida, até apareceu, querendo brilhar.
Mas, tão sabida, de louca se fez
No papel deixou o coração
se despedaçar
Na trapaça dela, veio a redenção dele
E não mais a obrigou a dançar
Logo, a palavra, minha, cansada, deixou o tempo revirar
Volta hoje, frondosa
Disposta a não ter o par.
E quem precisa de um único destinatário
para outra vez se publicar?
Minha palavra volta ao seu lar.
Saía bonita só para visitar-te
Sentia-se fina para alegrar-te
Aparecia repentina exclusivamente para cortejar-te
Mas minha palavra, sábia
Percebeu, antes do coração, que precisava universalizar-se
Cansou da covardia de não se libertar
Minha palavra lhe deixou
Bem depois do seu adeus.
Meu coração insistiu, brigou, e a fez voltar
E ela, metida, até apareceu, querendo brilhar.
Mas, tão sabida, de louca se fez
No papel deixou o coração
se despedaçar
Na trapaça dela, veio a redenção dele
E não mais a obrigou a dançar
Logo, a palavra, minha, cansada, deixou o tempo revirar
Volta hoje, frondosa
Disposta a não ter o par.
E quem precisa de um único destinatário
para outra vez se publicar?
Minha palavra volta ao seu lar.
terça-feira, janeiro 12
Diários Antárticos - parte II
Voltamos ao nossos diários.
Queria contar, antes do gelo, um pouco daqui de Punta Arenas. Mas duvido que esses parágrafos logo lhes interessem.
Então, vou direto ao lead: passei ontem 2h40 em solo antártico. Pensei o que talvez alguns pensaram agora -- praticamente 5 dias fora, horas e horas de C-130 para ficar 2h40 ali? Foi exatamente assim. Vale a pena? Claro. Mas fica o quero-mais!!
Acordamos às 4h da manhã. O voo estava previsto para as 6h. Não saímos. Foi atrasado. Esperamos até às 7h para ir ao aeroporto. Decolamos depois das 8h30.
Metida que sou, fui para onde acho que pertenço, para a cabine. Explico rapidamente: a missão é de responsabilidade da Marinha. A FAB dá apenas o 'suporte' pequeno de levar essa galera toda. O resto quem ve é a Marinha... Então, convidados, pesquisadores, jornalistas, etc, são todos escolhidos, relacionados com a Marinha. Os militares a bordo, em maioria, da Marinha. Nada contra. Mas os meus são os que voam :) Daí, lá fui eu no meio do pessoal... Vi a decolagem de Punta Arenas (liinda, na beira no mar que faz a curva).
Fiquei ali nas outras horas seguintes, de olho nas janelinhas (vejam depois as fotos no flickr).
A hora mais emocionante da viagem foi mesmo o pouso.
Estava na cabine, em pé, atrás dos dois pilotos. (Fiz um videozinho, mas ficou pesado, não consigo enviar por email. Vou dar um jeito e mando depois o link)
De longe, a ilha XX cheia de neve, ao lado, no mar, blocos de gelo, alguns icebergs (eles são azuis!)... Tudo ali na frente e eu ainda sem acreditar. Um silêncio a bordo. 4mil, 3.5 mil, 2 mil pés... E a pista, que parecia um rabisco na neve, fica mais gorda e nítida. Mesmo assim, curta. Ao redor, só gelo, neve. Risco.
O piloto, experiente, faz sua aproximação. Eu tento segurar minha câmera sem tremer, difícil. Não só pela aeronave...
E rapidamente, menos de dois minutos, estamos no chão. Tia Alice, lá embaixo, aplaude o pouso. Merecido. A tripulação, na cabine, troca apertos de mãos. Daí sim percebo que o lance era mesmo desafiador.
Logo estamos pisando na neve. Frio de 1*C, com sensação térmica de -9*C. Isso é verão!! Saímos com um vento de quase 30 nós... E estávamos na Base Chilena Eduardo Frei (a brasileira não tem pista de pouso, pela localização) Alguns mais sortudos, autoridades civis e militares, foram até a brasileira depois, de helicóptero. Muito muito legal ver helicópteros voando por ali.
Dali, fomos para um dos conteiners... para esperar uma "condução" que nos levaria até a "praia". Penso logo: temos só duas horas aqui e eu vou ficar esperando? Depois de ir ao banheiro (normal, sem ser tosco, limpo e com tudo encanado... melhor que muitos de posto de gasolina), resolvi me juntar a outros 2 caras e sair na neve, deixa a condução para os menos Chuck-Norris hehehe
Foram memoráveis 23 minutos de caminhada. A neve derretia, o pé afunda, mas estávamos numa "rua", por ali passavam os "carros", picapes, e aqueles tratorezinhos de neve (perdão não sei como chamam isso)..
Fomos até lá parando a cada espaço interessante para tirar fotos. E eu querendo andar, ai ai ... Mas enfim, quando me dei conta, parei de reclamar e olhar menos para o chão. E sim ao redor. Nada de bichos ou aves. Nada. Nenhuma voz ou barulho, só o vento. Quem já viu nevar sabe: é silencioso. Mágico. Era isso que eu sentia. E frio também. Misturado com calor, pq debaixo de tanta roupa e com uma bota superultramega impermeável, eu suava da caminhada esforçada... (e ainda não havíamos almoçado, só um lanche depois do café das 5h da matina)
Para não dizer que não vimos pinguins: aqui vai a foto do único que deu o ar da graça (vai em anexo). E eu com as duas máquinas, ia alternando: em filme, o que era PB, em digital, o colorido.
Chegamos mais perto do cais e por ali a Base Chilena toda. Fomos à lojinha de souvenirs (meu Deus até aqui canecas, chaveirinhos, broches, imãs de geladeira e cacarecos caro inúteis porém quase irrestíveis) que funciona dentro de um conteiner.
Dali, andamos mais um pouco na neve e já era hora de partir.
Rápido assim.
Voltamos para a concentração, para o corpo voltar a sentir menos frio, tomei água! água! Fora da geladeira e gelada, claro!!!
Depois, voltamos e eu na decolagem, de novo, na cabine :)
Dormi ali, numa maca suspensa, o melhor sono dos ultimos tempos.
FOI MESMO SENSACIONAL :D
Saudades de todos, tenho que ir agora...
bjs
Fe
sexta-feira, dezembro 25
Diários Antárticos - parte I
Queridos amigos,
O dia começou às 5h e a decolagem só foi acontecer exatas cinco horas depois.
Chegamos no aeroporto do Galeão (o militar) com aquela movimentação clássica de segunda-feira. Três aeronaves na pista, gente esperando para ver se dá sorte (e embarca numa vaga sobressalente). Os destinos: Brasília, Recife e Pelotas.
Eu estava na tripulação da terceira, como vocês sabem.
Depois de ver a decolagem dos outros dois C-99 ou EMB-145 como aprendi que a aviação civil costuma chamar, fui esperar a minha vez.
Não demorou muito e apareceu tia Alice. Vocês ou já me ouviram falar dela ou vão ouvir falar muito. Figura lendária. Na primeira foto em anexo (tá vendo Tourinho, no fundo é tudo falsa modéstia quero mesmo te superar hehehe) aparece ela ao lado dos pilotos no momento do briefing da viagem.
Tia Alice foi a primeira comissária da Varig. Exatamente. Tem 57 anos de aviação. E exatos 20 anos de Antártica. Hoje perguntei quando ela foi pela primeira vez, já esta era a minha. Ela me responde no ato: Dia 17 de outubro de 1989. É isso aí, quando as coisas marcam a gente, lembramos do dia, da hora, e outros detalhes mais...
Ela foi uma vez, deu ordem na comissaria e desde então nunca mais deixaram de chamá-la. Também, pudera, a mulher é um primor. Super educada, suave, gentil, daquelas velhinhas magrinhas, cheias de energia...
Alguns já sabem da minha idéia, prefiro morrer cedo que ficar capengando aos 80. Mas se for para chegar como a Tia Alice, ah, Senhor, me deixe por aqui. Imagine você aos 60 anos descobrindo a Antártica???
Para quem sempre vou de FAB, ter comida a bordo e servida é luxo, é boirgois (Lais, socorra meu parco francês). Quente, então? E não é que essa senhora consegue, dentro de um avião ENORME, barulhento, cheio de carga, com pessoas sentadas em bancos laterais fazer um serviço decente? Mais que decente, carinhoso?
Hoje comemos um sanduíche quente com pão fofinho, recheado de presunto e queijo. Acompanhou: suco de laranja com gelo, café com leite (quente que tinha de soprar), frutas picadas (abacaxi e mamão!) e ainda um lancy!!! NUNCA antes na minha vida comi tão bem na FAB. Luxo. Lindo. E tudo na bandejinha. (viu só como eu sei falar algo além de sensacional e fantástico?)
Ela, muito querida, claro, me colocou ao lado dela e nesse dia, virei comissária. Até que é interessante...
Outra adaptação genial de tia Alice é o megafone, a segunda foto do anexo.
Ela faz aquela rotina de avisos por meio dele. Parece sem sentido, mas é que vocês não tem idéia do barulho que 4 motores a hélice provocam dentro do tubo do avião. SOCORRO. C-130 tem dessas aventuras. Então, ela recebe cada passageiro, ao entrar a bordo, com um sorriso e um tapa-ouvidos em mãos. Daí lá pelas tantas ela grita: atenção passageiros falta meia hora para o pouso, por favor coloquem suas poltronas em posição vertical. Metade da galera, os novatos, riem dela.
E o GELO?? Gente, gelo não vi nada, ainda. E nem amanhã verei, viu?
Só faremos a travessia (mesmo de avião eles chamam assim a ida ao continente antártico ou seria antártido) na QUARTA-feira.
Parece demorado, ne? Bom, mas vai de navio para ver como demora... E ainda: de Pelotas para Punta Arenas, no Chile, viagem que faremos amanhã, são SEIS horas de voo. Seis horas de barulhooo. Valei-me minhas clarices, meus amyr klinks e minha biblia, companheiros de viagem.
Acho que já deu, não? Vou começar a me preparar para dormir, amanhã a alvorada (toque de corneta, na academia) é às 5h. E ainda tenho de fazer um trabalhildo antes de sair. Mas não reclamo. Cada vez o sonho fica mais real.
Bom mesmo, de verdade, é dividir isso com vocês.
Beijos,
O dia começou às 5h e a decolagem só foi acontecer exatas cinco horas depois.
Chegamos no aeroporto do Galeão (o militar) com aquela movimentação clássica de segunda-feira. Três aeronaves na pista, gente esperando para ver se dá sorte (e embarca numa vaga sobressalente). Os destinos: Brasília, Recife e Pelotas.
Eu estava na tripulação da terceira, como vocês sabem.
Depois de ver a decolagem dos outros dois C-99 ou EMB-145 como aprendi que a aviação civil costuma chamar, fui esperar a minha vez.
Não demorou muito e apareceu tia Alice. Vocês ou já me ouviram falar dela ou vão ouvir falar muito. Figura lendária. Na primeira foto em anexo (tá vendo Tourinho, no fundo é tudo falsa modéstia quero mesmo te superar hehehe) aparece ela ao lado dos pilotos no momento do briefing da viagem.
Tia Alice foi a primeira comissária da Varig. Exatamente. Tem 57 anos de aviação. E exatos 20 anos de Antártica. Hoje perguntei quando ela foi pela primeira vez, já esta era a minha. Ela me responde no ato: Dia 17 de outubro de 1989. É isso aí, quando as coisas marcam a gente, lembramos do dia, da hora, e outros detalhes mais...
Ela foi uma vez, deu ordem na comissaria e desde então nunca mais deixaram de chamá-la. Também, pudera, a mulher é um primor. Super educada, suave, gentil, daquelas velhinhas magrinhas, cheias de energia...
Alguns já sabem da minha idéia, prefiro morrer cedo que ficar capengando aos 80. Mas se for para chegar como a Tia Alice, ah, Senhor, me deixe por aqui. Imagine você aos 60 anos descobrindo a Antártica???
Para quem sempre vou de FAB, ter comida a bordo e servida é luxo, é boirgois (Lais, socorra meu parco francês). Quente, então? E não é que essa senhora consegue, dentro de um avião ENORME, barulhento, cheio de carga, com pessoas sentadas em bancos laterais fazer um serviço decente? Mais que decente, carinhoso?
Hoje comemos um sanduíche quente com pão fofinho, recheado de presunto e queijo. Acompanhou: suco de laranja com gelo, café com leite (quente que tinha de soprar), frutas picadas (abacaxi e mamão!) e ainda um lancy!!! NUNCA antes na minha vida comi tão bem na FAB. Luxo. Lindo. E tudo na bandejinha. (viu só como eu sei falar algo além de sensacional e fantástico?)
Ela, muito querida, claro, me colocou ao lado dela e nesse dia, virei comissária. Até que é interessante...
Outra adaptação genial de tia Alice é o megafone, a segunda foto do anexo.
Ela faz aquela rotina de avisos por meio dele. Parece sem sentido, mas é que vocês não tem idéia do barulho que 4 motores a hélice provocam dentro do tubo do avião. SOCORRO. C-130 tem dessas aventuras. Então, ela recebe cada passageiro, ao entrar a bordo, com um sorriso e um tapa-ouvidos em mãos. Daí lá pelas tantas ela grita: atenção passageiros falta meia hora para o pouso, por favor coloquem suas poltronas em posição vertical. Metade da galera, os novatos, riem dela.
E o GELO?? Gente, gelo não vi nada, ainda. E nem amanhã verei, viu?
Só faremos a travessia (mesmo de avião eles chamam assim a ida ao continente antártico ou seria antártido) na QUARTA-feira.
Parece demorado, ne? Bom, mas vai de navio para ver como demora... E ainda: de Pelotas para Punta Arenas, no Chile, viagem que faremos amanhã, são SEIS horas de voo. Seis horas de barulhooo. Valei-me minhas clarices, meus amyr klinks e minha biblia, companheiros de viagem.
Acho que já deu, não? Vou começar a me preparar para dormir, amanhã a alvorada (toque de corneta, na academia) é às 5h. E ainda tenho de fazer um trabalhildo antes de sair. Mas não reclamo. Cada vez o sonho fica mais real.
Bom mesmo, de verdade, é dividir isso com vocês.
Beijos,
segunda-feira, dezembro 14
Antártica ou Antártida?
Tudo começou com ele. Não só a minha vida (para não ser piegas demais), mas também a vontade de voar e, lógico, de visitar esse continente instigante. (não vou dizer gelado, tá óbvio demais, estou de bronca hoje).
E por agora, quando todos ainda me questionam e me respondem, fica o embate no diálogo:
Ei você vai para a Antártida?
E eu, sim, estou embarcando para a Antártica amanhã.
Para mim, filha de piloto antártico, que convive desde 92 com uma casa cheia de pinguins (de pelúcia, de imãs de geladeira, em estampas de pijamas, mantas, etc), isso parece meio banal. Mas, lógico, não é.
Agora que refaço a rota sempre feita pelo meu pai, nos meus anos de começo de adolescência, relembro os dias em que escuta Big Mix, andava de bicicleta, jogava queimada e inventava caça-tesouros enquanto meus amigos incrédulos me perguntavam outra vez:
-É verdade que seu pai vai para a Antártida?
E, eu, sempre insolente, respondia:
- Já é a 10a vez que ele vai para a AntártiCA...
E a discussão pelo DE ou pelo CE rendia.
Hoje volto a essa rota (Pelotas-Punta Arenas-Base Eduardo Frei-Base Comandante Ferraz) e volto à mesma pergunta.
Para não enrolar e responder: TANTO FAZ. Não sei porque, mas detesto essa resposta. Se tanto faz, para que duas opções??!
Continuo preferindo a prosódia da cerveja. Logicamente por que cresci ouvindo essa versão. É a usada pelos milicos em todos os lugares. Vejam, o Programa da Marinha é PROANTAR, sigla para Programa AntártiCO Brasileiro.
Em português lusitano, o termo é Antárticda e sinceramente não sei se a essa altura do campeonato, com o acordo ortográfico isso influi em algo. Em espanhol, fica Antártida e em inglês fica Antarctica.
Achei outra boa explicação que reforça o termo escolhido como padrão pelos milicos:
O nome Antártica surgiu da versão 'romanizada' do grego Antarktiki, que quer dizer 'oposto ao norte'. Ou seja anti-ártico, antártiCO.
E ainda melhor explicada para quem tem mais paciência e curiosidade de ler:
Antártica é uma palavra de origem grega que reúne os termos anti (oposto) e arktos (urso), sendo que este último termo refere-se à estrela polar da constelação de Ursa Menor ou Little Bear. Esta origem etimológica sugere que, com base na teoria de simetrias e opostos, os gregos supunham a existência de uma terra desconhecida em uma região oposta à deles.
E vocês, que forma preferem?
domingo, setembro 27
planta teimosa
tenho em meu coração sentimentos
de uma planta
que nasceu
está a florescer
mas agora não se pode
podar
nem hidratar
a planta enlourece do sol
encurva-se com a dor
mas se recusa a morrer
no meu interior
de uma planta
que nasceu
está a florescer
mas agora não se pode
podar
nem hidratar
a planta enlourece do sol
encurva-se com a dor
mas se recusa a morrer
no meu interior
Fé
Acordar com os pássaros depois de um pesadelo
Encantar-se com o uivo, sem medo, do vendaval
Esquecer do dia da semana ao ouvir uma sinfonia
Dar a vez na fila do banco
Fazer a mala quando se tem medo de voar
Falar de amor
Tocar uma música ao surdo
Mostrar as cores a um cego
Escrever poemas a um engenheiro
Cozinhar com três ingredientes e sem fome
Comprar pão com as notícias do domingo
Passar por uma cirurgia
Abrir a boca para o dentista
Fazer um elogio sincero
Escolher o presente querendo agradar
Preencher a ficha de inscrição de um concurso
Enviar uma carta pelos Correios
Visitar um desconhecido, doente
Caminhar pela praia, sem relógio, sem porquê
Soltar o cachorro da coleira
Levar o papagaio para a rua
Esperar a nota vermelha
Deixar-se as unhas por fazer
Vestir-se de branco para o altar
Despir-se inteira para se desenhar
Rir do prato que quebrou
Jogar o sobrinho no ar
Deixar a pipa alçar voo
Empinar a bicicleta sem as mãos
Levar a calça para fazer bainha
Buscar um filme na locadora
Fazer transferência bancária pela internet
Pintar os cabelos de furta cor
Deixar o bigode crescer
Comer mangaba sem sofrer
Tirar os pêlos do lugar
Animar os jovens a votar
Voltar para casa da farra sem vomitar
Pular o muro para cair na praia
Esquecer a chave de casa
Mudar de país sem falar outra língua
Esperar os gêmeos para o parto normal
Ler uma historinha no final do dia
Comer pastel na rua
Deixar o celular desligado
Deitar no colo e esquecer-se do lugar
Ler um novo romance sem olhar a última página
Apostar no bolão do trabalho para não ficar de fora
Passar o rímel num dia triste
Cantar no banheiro sem perder o tom
Deixar o despertador tocar só uma vez
Deixar o despertador sem tocar
Dirigir sem saber o lugar
Pegar um ônibus pela primeira vez
Levar a vida como seu único freguês.
Encantar-se com o uivo, sem medo, do vendaval
Esquecer do dia da semana ao ouvir uma sinfonia
Dar a vez na fila do banco
Fazer a mala quando se tem medo de voar
Falar de amor
Tocar uma música ao surdo
Mostrar as cores a um cego
Escrever poemas a um engenheiro
Cozinhar com três ingredientes e sem fome
Comprar pão com as notícias do domingo
Passar por uma cirurgia
Abrir a boca para o dentista
Fazer um elogio sincero
Escolher o presente querendo agradar
Preencher a ficha de inscrição de um concurso
Enviar uma carta pelos Correios
Visitar um desconhecido, doente
Caminhar pela praia, sem relógio, sem porquê
Soltar o cachorro da coleira
Levar o papagaio para a rua
Esperar a nota vermelha
Deixar-se as unhas por fazer
Vestir-se de branco para o altar
Despir-se inteira para se desenhar
Rir do prato que quebrou
Jogar o sobrinho no ar
Deixar a pipa alçar voo
Empinar a bicicleta sem as mãos
Levar a calça para fazer bainha
Buscar um filme na locadora
Fazer transferência bancária pela internet
Pintar os cabelos de furta cor
Deixar o bigode crescer
Comer mangaba sem sofrer
Tirar os pêlos do lugar
Animar os jovens a votar
Voltar para casa da farra sem vomitar
Pular o muro para cair na praia
Esquecer a chave de casa
Mudar de país sem falar outra língua
Esperar os gêmeos para o parto normal
Ler uma historinha no final do dia
Comer pastel na rua
Deixar o celular desligado
Deitar no colo e esquecer-se do lugar
Ler um novo romance sem olhar a última página
Apostar no bolão do trabalho para não ficar de fora
Passar o rímel num dia triste
Cantar no banheiro sem perder o tom
Deixar o despertador tocar só uma vez
Deixar o despertador sem tocar
Dirigir sem saber o lugar
Pegar um ônibus pela primeira vez
Levar a vida como seu único freguês.
segunda-feira, julho 20
não se demore
quero ainda conversar com você
quero me deitar
e te cantar versos bonitos
te dizer outras coisas
ouvir sua voz
para descansar e acreditar que a vida vale a pena
que o amor sempre vence
que acordar amanhã vai ser
estar mais perto de te ver
que meu colo vai precisar do seu cansaço
que teu abraço vai diminuir a minha exaustão
ah, vai, não me deixa a te compor
esses versos meio tolos
com palavras instantaneas
que depois te enchem de calor
fico aqui, a te esperar
e que outra graça tem de aqui estar?
vem, meu amor, não se demore
ainda tenho a noite inteira para te amar
quero me deitar
e te cantar versos bonitos
te dizer outras coisas
ouvir sua voz
para descansar e acreditar que a vida vale a pena
que o amor sempre vence
que acordar amanhã vai ser
estar mais perto de te ver
que meu colo vai precisar do seu cansaço
que teu abraço vai diminuir a minha exaustão
ah, vai, não me deixa a te compor
esses versos meio tolos
com palavras instantaneas
que depois te enchem de calor
fico aqui, a te esperar
e que outra graça tem de aqui estar?
vem, meu amor, não se demore
ainda tenho a noite inteira para te amar
quinta-feira, julho 16
efeito
Sabe quando você quer dizer algo
Quer ter algo novo
Criativo
Gostoso para escrever
E não tem?
Mas mesmo assim insiste
Espreme
Aperta
E escreve?
Sabe quando você quer por no papel
o que sente
nem sabendo para quê
e sabendo que não vai conseguir?
Mas você tenta
Insiste
Espreme
Aperta
E escreve?
Sabe quando tua veia artística
anda tão à flor da pele
que um espirro
é uma desculpa
um suspiro
é um vocativo
uma risada
vira uma vírgula
e tudo se encaixa
na poesia
(e muito além dela)?
Digo a quem por ventura perguntar
que é seu efeito em mim
:)
Quer ter algo novo
Criativo
Gostoso para escrever
E não tem?
Mas mesmo assim insiste
Espreme
Aperta
E escreve?
Sabe quando você quer por no papel
o que sente
nem sabendo para quê
e sabendo que não vai conseguir?
Mas você tenta
Insiste
Espreme
Aperta
E escreve?
Sabe quando tua veia artística
anda tão à flor da pele
que um espirro
é uma desculpa
um suspiro
é um vocativo
uma risada
vira uma vírgula
e tudo se encaixa
na poesia
(e muito além dela)?
Digo a quem por ventura perguntar
que é seu efeito em mim
:)
quarta-feira, julho 8
eu vou
pego gripe, quase me perco no meio da mata atlântica
fico cansada de me descansar, fico doente de me resistir e te esperar
mas vou até o fim do mundo
a te procurar
a querer ouvir tua voz
a esperar o teu oi
a olhar tuas mensagens
a curtir alguma resposta
me viro
dou um jeito
e sem tempo
sem meios
encontro um momento
um alvo e uma forma
de te escrever, ligar, mandar um pedaço do meu amor.
e sabe o que eu descobri?
que o amor é uma arte de se multiplicar-se
e de inventar-se
pq não é mesmo suficiente dizer apenas uma vez eu amo você
não é tolo repetir outra vez
nem parece sem sentido que cada vez
soe como a primeira
ou seja bom ouvir como se não se soubesse
não se sabe do amor
nada sabemos
o experimentamos
o vivemos
e o construímos
com os gestos, sentimentos, claro
e também com essas palavras
que só são repetitivas aos olhos de quem a mensagem não é alvo.
sim, eu escrevo a você que amo você pois é quem importa receber.
não te soa sem sal
nem repetitivo pois a cada vez, para o meu amor, é diferente
como a cachoeira que deixa-se cair
como o rio que deixa-se passar
parece sempre o mesmo, mas é sempre outro
são outras águas novas a se despencar
outras chuvas a molhar-nos
e Deus nunca deixa o amor se esgotar na repetição.
se repetimos é porque sim somos um tanto limitados
limite, sim, na expressão
por que na arte de amar
essa Deus ao homem caprichou e limite
não creio que há.
amo-te e não me repito.
mas novamente te escrevo e te digo
amo-te meu amor por hoje comigo
amo-te amanhã com certeza
e depois de amanhã com outra natureza
mas pode deixar que amanhã
e depois de amanhã
voltarei a lembrar-te disto.
fico cansada de me descansar, fico doente de me resistir e te esperar
mas vou até o fim do mundo
a te procurar
a querer ouvir tua voz
a esperar o teu oi
a olhar tuas mensagens
a curtir alguma resposta
me viro
dou um jeito
e sem tempo
sem meios
encontro um momento
um alvo e uma forma
de te escrever, ligar, mandar um pedaço do meu amor.
e sabe o que eu descobri?
que o amor é uma arte de se multiplicar-se
e de inventar-se
pq não é mesmo suficiente dizer apenas uma vez eu amo você
não é tolo repetir outra vez
nem parece sem sentido que cada vez
soe como a primeira
ou seja bom ouvir como se não se soubesse
não se sabe do amor
nada sabemos
o experimentamos
o vivemos
e o construímos
com os gestos, sentimentos, claro
e também com essas palavras
que só são repetitivas aos olhos de quem a mensagem não é alvo.
sim, eu escrevo a você que amo você pois é quem importa receber.
não te soa sem sal
nem repetitivo pois a cada vez, para o meu amor, é diferente
como a cachoeira que deixa-se cair
como o rio que deixa-se passar
parece sempre o mesmo, mas é sempre outro
são outras águas novas a se despencar
outras chuvas a molhar-nos
e Deus nunca deixa o amor se esgotar na repetição.
se repetimos é porque sim somos um tanto limitados
limite, sim, na expressão
por que na arte de amar
essa Deus ao homem caprichou e limite
não creio que há.
amo-te e não me repito.
mas novamente te escrevo e te digo
amo-te meu amor por hoje comigo
amo-te amanhã com certeza
e depois de amanhã com outra natureza
mas pode deixar que amanhã
e depois de amanhã
voltarei a lembrar-te disto.
terça-feira, julho 7
instantâneos
Tá bom, eu me rendo, vou aos poucos perdendo o jeitão old fashion.
Passo a criar sem usar a caneta.
Meus dedos escolhem as letras, agora:
Ora no teclado do computador, ora nos botõezitos do celular.
São sim meus poemas instantâneos e com um público de conjunto unitário direcionado.
E me relutei, por isso, a publicá-los. Mas pensando bem, que mal tem?
E se não fosse este criativo a libertar sua criação de sua direção como eu poderia também aproveitar os cartões?
Com esta introdução, segue agora a nova classe de publicações,meus poemas instantâneos:
===========================================================
não deixo de vir aqui,
como num assalto,
para compor uns poemitos a ti.
corro os dedos pelo teclado
sem escolher direito
e a deixar tudo registrado por aqui...
sou contente, a cada dia
e ainda mais com você
penso nos meus instantes ao teu lado
e sonho com o dia de multiplicá-los
sem precisar que eles tenham que esperar
por um avião de volta no final
ah o avião me traz de volta
mas um dia
sempre me trará você.
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Passo a criar sem usar a caneta.
Meus dedos escolhem as letras, agora:
Ora no teclado do computador, ora nos botõezitos do celular.
São sim meus poemas instantâneos e com um público de conjunto unitário direcionado.
E me relutei, por isso, a publicá-los. Mas pensando bem, que mal tem?
E se não fosse este criativo a libertar sua criação de sua direção como eu poderia também aproveitar os cartões?
Com esta introdução, segue agora a nova classe de publicações,meus poemas instantâneos:
===========================================================
não deixo de vir aqui,
como num assalto,
para compor uns poemitos a ti.
corro os dedos pelo teclado
sem escolher direito
e a deixar tudo registrado por aqui...
sou contente, a cada dia
e ainda mais com você
penso nos meus instantes ao teu lado
e sonho com o dia de multiplicá-los
sem precisar que eles tenham que esperar
por um avião de volta no final
ah o avião me traz de volta
mas um dia
sempre me trará você.
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segunda-feira, junho 29
As contas e os tiros
Pensava ela nas inúmeras contas ainda a pagar, acertos a fazer e naquela lista de objetos necessários e outros desejáveis que a impaciência não a fazia querer esperar por ter.
Sem nenhum outro problema grave, com o café da manhã gostoso e o maiô no corpo, saiu para cair na água, como habitualmente começa os dias em que a preguiça não toma conta do acordar.
Saiu da água depois dos 1300m percorridos - nem rendeu tanto a aula de hoje. E voltam as contas e os pepinos cotidianos (pé da cama descolou, transformador de voltagem para o microondas é urgente)a retirar seus pensamentos.
Ali, no vestiário, o encontro habitual que muda a perspectiva da semana. Lá vem ela, meio cabisbaixa, a faxineira a conversar. Ela gostava de bater papo com a moça, que tão zelosa cuidava dos alunos quase como extensão da família e arrumava com gosto o lugar sempre meio empoçado...
--- Meu marido morreu. Tomou dois tiros. Faz vinte dias. Agora, estou parcelando o custo do enterro em 36 vezes.
A notícia toda a chocou. Pensou tanto.
Mas quanta injustiça para quem trabalha tanto. Para quem acorda às 4h30. E chega em casa depois das 19h. E demora mais de duas horas por dia dentro de um ônibus. E ganha menos que os 10% do gasto do enterro, que teve de dar como entrada, assumindo outra dívida.
Ela, calada, resolveu que dali por diante não ia mais reclamar de contas.
E, de algum jeito, iria ajudar a faxineira com alguma daquelas prestações.
Sem nenhum outro problema grave, com o café da manhã gostoso e o maiô no corpo, saiu para cair na água, como habitualmente começa os dias em que a preguiça não toma conta do acordar.
Saiu da água depois dos 1300m percorridos - nem rendeu tanto a aula de hoje. E voltam as contas e os pepinos cotidianos (pé da cama descolou, transformador de voltagem para o microondas é urgente)a retirar seus pensamentos.
Ali, no vestiário, o encontro habitual que muda a perspectiva da semana. Lá vem ela, meio cabisbaixa, a faxineira a conversar. Ela gostava de bater papo com a moça, que tão zelosa cuidava dos alunos quase como extensão da família e arrumava com gosto o lugar sempre meio empoçado...
--- Meu marido morreu. Tomou dois tiros. Faz vinte dias. Agora, estou parcelando o custo do enterro em 36 vezes.
A notícia toda a chocou. Pensou tanto.
Mas quanta injustiça para quem trabalha tanto. Para quem acorda às 4h30. E chega em casa depois das 19h. E demora mais de duas horas por dia dentro de um ônibus. E ganha menos que os 10% do gasto do enterro, que teve de dar como entrada, assumindo outra dívida.
Ela, calada, resolveu que dali por diante não ia mais reclamar de contas.
E, de algum jeito, iria ajudar a faxineira com alguma daquelas prestações.
terça-feira, maio 26
pesados e te olham
meus olhos ainda estão pesados
pelas lágrimas que ontem
deixaram cair
mas hoje eles se
despertam
e se esforçam por levantar-se
por que querem estar
abertos
para ver-te
outra vez.
pelas lágrimas que ontem
deixaram cair
mas hoje eles se
despertam
e se esforçam por levantar-se
por que querem estar
abertos
para ver-te
outra vez.
terça-feira, maio 19
segunda-feira, maio 11
A noite, outra espera
Ela chega com sua surpresa. E ao mesmo tempo com o previsível.
Passa calada, sem forçar presença, mas ameaça com sua violência negra.
Lá vem ela, para esperar a próxima luz do dia.
Lá vem ela, para preparar todos os olhares para o nascer do sol.
Lá vem ela tirar calor reservado e acumulado, para acalmar cada epiderme.
Chega com essa pressa de mandar logo o senhor soberano descer.
Vem mostrar o prata azul luminado da sua lua.
Vem trazer vontades, força, descanso e cansaço.
Ela se impõe, atiça, e cintila.
E marca, sempre, a espera por um recado, palavra, voz.
Vem a noite, parceira do aguardo. Do sentar-se para ouvir-te, talvez.
Vem a noite, cúmplice dos suspiros, sempre a misteriar o que pode acontecer no seu durante.
Vem a noite, plácida, por vezes lépida, a transbordar talvez alguns segredos.
A trazer, quem sabe, uma confissão.
Passa logo, ou demoradamente, se for sim, ou quando é não.
Viro assim tua seguinte, pedinte, paciente.
Em ti espero e contigo às vezes me aborreço.
Essa noite, calada, nem sempre traz a novidade que me agrada.
Passa calada, sem forçar presença, mas ameaça com sua violência negra.
Lá vem ela, para esperar a próxima luz do dia.
Lá vem ela, para preparar todos os olhares para o nascer do sol.
Lá vem ela tirar calor reservado e acumulado, para acalmar cada epiderme.
Chega com essa pressa de mandar logo o senhor soberano descer.
Vem mostrar o prata azul luminado da sua lua.
Vem trazer vontades, força, descanso e cansaço.
Ela se impõe, atiça, e cintila.
E marca, sempre, a espera por um recado, palavra, voz.
Vem a noite, parceira do aguardo. Do sentar-se para ouvir-te, talvez.
Vem a noite, cúmplice dos suspiros, sempre a misteriar o que pode acontecer no seu durante.
Vem a noite, plácida, por vezes lépida, a transbordar talvez alguns segredos.
A trazer, quem sabe, uma confissão.
Passa logo, ou demoradamente, se for sim, ou quando é não.
Viro assim tua seguinte, pedinte, paciente.
Em ti espero e contigo às vezes me aborreço.
Essa noite, calada, nem sempre traz a novidade que me agrada.
quarta-feira, abril 29
ele é o cara
Outro diálogo infalível de risadas gostosas no final.
-- Mãe, você gosta de mim?
-- Muito.
-- E eu não gosto de você. Eu AMO você.
(suspiros de mãe coruja derretida).
-- Eu também te amo, meu filho.
-- Ah, então você me dá de presente mais gogo's?
Gente, esse é o Tomé. O rapazito de 5 anos que me enfeitiçou. Que joga bola comigo e depois ainda põe band-aid rosa no meu pé para sarar a bolha de sangue que formou. E eu digo para a amiga querida, mãe dele: -- Mas dá vontade te ter um filho amanhã. Ela ri e diz: -- Não vou negar; é gostoso mesmo, ainda com as horas de sono perdidas...
[Se a mãe deixar, prometo que posto a foto, aqui, em breve]
[Enquanto isso, contentem-se com o blog dela, delicioso
-- Mãe, você gosta de mim?
-- Muito.
-- E eu não gosto de você. Eu AMO você.
(suspiros de mãe coruja derretida).
-- Eu também te amo, meu filho.
-- Ah, então você me dá de presente mais gogo's?
Gente, esse é o Tomé. O rapazito de 5 anos que me enfeitiçou. Que joga bola comigo e depois ainda põe band-aid rosa no meu pé para sarar a bolha de sangue que formou. E eu digo para a amiga querida, mãe dele: -- Mas dá vontade te ter um filho amanhã. Ela ri e diz: -- Não vou negar; é gostoso mesmo, ainda com as horas de sono perdidas...
[Se a mãe deixar, prometo que posto a foto, aqui, em breve]
[Enquanto isso, contentem-se com o blog dela, delicioso
segunda-feira, abril 27
ternura pura
A mãe, mega profissional, super-ocupada e ao mesmo tempo superquerida, não deixa de ligar para o filho quando o expediente aperta e perde a hora de buscá-lo na escola.
-- Meu filho, você tá com a garganta doendo, ainda?
-- Não
-- E a cabeça? Vc tá quente, de febre?
-- Não, mãe.
-- E o coração? Tá batendo forte pela mamãe?
-- Eu te amo.
-- Meu filho, você tá com a garganta doendo, ainda?
-- Não
-- E a cabeça? Vc tá quente, de febre?
-- Não, mãe.
-- E o coração? Tá batendo forte pela mamãe?
-- Eu te amo.
domingo, abril 26
como uma fatia de bolo
Ela estaciona o carro desnecessariamente distante do mercado.
Desce no meio da chuva fina com sacola e lista de compras nas mãos. Não se importa, precisa respirar aquele ar de grama molhada e pensar um pouco.
Começa a espera, que vai se renovar a cada despedida. Ela sabe disso. Esperava por isso. E continua esperando.
Mas não tem melancolia no seu olhar.
Ela passa os olhos pela receita que tem nas mãos. Uma fatia de bolo depende de todos aqueles ingredientes. Depende das mãos dela, do carinho que põe ao misturar cada iten, depende da sua habilidade, da batedeira, do calor do forno.
Depende da sua atenção, de que ela não esqueça no fogão.
Depende das vasilhas, da forma bem untada, do ponto da manteiga, do frescor da maçã e da validade da levedura.
Depende, principalmente, do tempo dela. Tempo para sair, comprar, voltar, preparar, esperar, cortar e enfim, finalmente o enfim, comer.
Uma só fatia de bolo e tantos minutos dependendo dela.
E não é assim a vida? Um eterno preparar-se para uma espera cujo objeto será consumido? Tantos melhores poetas já trataram da efemeridade do instante, da vida, do saborear-se. E que vou eu elocubrar?
Espero.
Sei que espero e sei pelo que espero.
Mas não me arranque tudo isso de uma vez.
Não me obrigue a perder algum detalhe, algum componente da receita.
A fatia de bolo deliciosa precisa de cada ingrediente, de cada etapa e de todos os minutos consumidos...
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. CLARICE LISPECTOR
Desce no meio da chuva fina com sacola e lista de compras nas mãos. Não se importa, precisa respirar aquele ar de grama molhada e pensar um pouco.
Começa a espera, que vai se renovar a cada despedida. Ela sabe disso. Esperava por isso. E continua esperando.
Mas não tem melancolia no seu olhar.
Ela passa os olhos pela receita que tem nas mãos. Uma fatia de bolo depende de todos aqueles ingredientes. Depende das mãos dela, do carinho que põe ao misturar cada iten, depende da sua habilidade, da batedeira, do calor do forno.
Depende da sua atenção, de que ela não esqueça no fogão.
Depende das vasilhas, da forma bem untada, do ponto da manteiga, do frescor da maçã e da validade da levedura.
Depende, principalmente, do tempo dela. Tempo para sair, comprar, voltar, preparar, esperar, cortar e enfim, finalmente o enfim, comer.
Uma só fatia de bolo e tantos minutos dependendo dela.
E não é assim a vida? Um eterno preparar-se para uma espera cujo objeto será consumido? Tantos melhores poetas já trataram da efemeridade do instante, da vida, do saborear-se. E que vou eu elocubrar?
Espero.
Sei que espero e sei pelo que espero.
Mas não me arranque tudo isso de uma vez.
Não me obrigue a perder algum detalhe, algum componente da receita.
A fatia de bolo deliciosa precisa de cada ingrediente, de cada etapa e de todos os minutos consumidos...
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. CLARICE LISPECTOR
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