terça-feira, novembro 25
quinta-feira, outubro 30
meu mundo por um chiclete ploc
A reunião foi quase suportável.
Pedidos, urgentes.
Novidade mesmo, pouca.
Relevância dos próximos acontecimentos, crítica.
Saíram os dois sem nem comentar os 45 minutos de mesa redonda com o cliente. Mas cada um já imaginava o que seria o trabalho deles a partir de agora.
Cansada, sem fôlego para discutir outra vírgula fora do lugar, ela ergue os olhos para o colega e diz: -- Ai, tudo o que eu precisaria agora era de um chiclete PLOC. Acredita?
Os olhos azuis dele, num segundo, se levantaram, como quem teve uma idéia brilhante. Enquanto isso, tira do bolso do paletó a salvação do dia: um exemplar quase extinto do exatemente já citado e desejado chiclete PLOC.
E os dois riem: nunca foi tão fácil fazer alguém feliz com uma feliz coincidência.
quinta-feira, outubro 16
despojar-se
ver o mar
Quantos olhos viram
estes mesmos movimentos
Quantas almas
não se revigoraram
depois de esperar
em tuas beiras
Quantas pegadas
não desfizestes
de tuas areias
Não há como contar
mas a cada um
foi dado o único instante
de sentir-se beneficiado
em parar diante do mar.
Não olha
Te tirei do meio do salão
e me fiz rodopiar
Esqueci o salto apertado
Deixei o público onde não podia lembrar
Mas não te olhei -- tanto
e se eu me apaixonar?
quarta-feira, outubro 1
Em Nazaré, na Bahia
Eram três menininhos, meio espoletas, meio distraídos.
Ah, mas nem é máquina de verdade.
Eles levavam essa candura, suave inocência que tentei fotografar.
Tia, pode ser do lado do cavalo?
Mas é claro!, digo eu.
E eles mal se mexem, esperam e pedem para ver.
Eu digo, essa máquina é de filme, não dá para ver a foto, tem que esperar e revelar.
Ah, mas nem é máquina de verdade.
É mole?
terça-feira, setembro 30
amigos, não mais
Ainda não sei porque
eu mesma insisto
volto a te ligar
Procuro a tua atenção
Ei, não quero o teu carinho
Não espero que me correspondas
Digo isto nas palavras
Mas tu, teimas, e lês outras coisas
Nos meus olhos
nos meus (curtos) silêncios,
nos gestos
Clamo tua opinião
Divido contigo uma
descoberta
mas que pouco isso te importa
quanto desdém!
E o amigo, que será que tive...
para onde fostes esconder-te?
terça-feira, setembro 23
engano
Nas memórias
Puxo a âncora
E peço ao tempo
Que pare de correr
Nas fotografias
Vejo a certeza
Do teu sorriso
A me esperar
Nestes telefonemas
Que vão enganando os olhos
Guardo o coração
De se deixar a jogar pelo gancho
quinta-feira, setembro 18
parêntesis
Ouve devagar (a brisa)
Espera
mais um minuto
para respirar (o mar)
Senta
em outro lugar (debaixo do sol)
Põe teus pés na areia
e resolve (com cuidado)
deixa o tempo te acalmar.
sintonia
Quem disse que não existe sintonia
no primeiro passo
no primeiro olhar
logo no abraço
é quem nunca te tirou para dançar.
silêncio por companhia
Não ouso ouvir nada
além do teu
desmanchar-se
nem procuro outro cantor
outra banda
a tocar ao meu lado
quero deixar-me suavizar
por tua brisa
ao contemplar o teu trabalho
de ondas fazer
levar e trazer...
segunda-feira, setembro 15
melhor sombra ou água fresca?
São imperiais e festivos,
cheios de algazarra
em suas cores
Dourados pelo sol,
penteados pela brisa
eles enchem-se de si
abrem os braços,
erguem-se
para referenciar o mar
Gentis coqueiros,
Em tuas sombras
me recomponho
Em olhar a vós
me encanto
E a esperar os frutos (cocos! água! doces!)
me conforto.
debaixo dos coqueiros
Grande senhor
silencioso e suave
robusto
Erguem-se tuas ondas
como aquele teu convite
põe teu pé aqui
Voltam as espumas
chegam as conchas
Refazendo em sorriso
tua saudação
Põe teu pé aqui,
me dizes
Recolho minhas coisas
Nem quero pensar em dizer
Adeus
Sei que vou voltar
Não sei como nem por que
Segura posso afirmar
Ainda assim, eu sei
Voltarei a ver
este mar.
sexta-feira, setembro 5
Existe?
Existe, então
saudade sem nome
de quem?
saudade sem endereço?
sem ingrediente?
sem cor?
nem cheiro?
Existe saudade
do teu nome que eu não sabia.
Essa descobri que havia.
Não é estranha?
saudade sem nome
de quem?
saudade sem endereço?
sem ingrediente?
sem cor?
nem cheiro?
Existe saudade
do teu nome que eu não sabia.
Essa descobri que havia.
Não é estranha?
pode ser mais um antonito?
Puxam-me pela cintura
as tuas mãos
e correm ao encontro
das minhas...
tão rápidas!
as quatro se cruzam
no rodopio.
Depois se separam
se espalmam
e nos despedem.
as tuas mãos
e correm ao encontro
das minhas...
tão rápidas!
as quatro se cruzam
no rodopio.
Depois se separam
se espalmam
e nos despedem.
terça-feira, setembro 2
where?
No, I'm not hiding
I know that
You know, even better
I don't hide
I play
I swing
I sing and
I dance
I just don't know where...
I know that
You know, even better
I don't hide
I play
I swing
I sing and
I dance
I just don't know where...
when you fall in love - II
what do you hear?
Do you hear my thoughts?
Can you see my throbbing heart?
Would you feel
my love singing?
Because it is so alive
that could be part
as a form of being
outside
out of me
and into you
Do you hear my thoughts?
Can you see my throbbing heart?
Would you feel
my love singing?
Because it is so alive
that could be part
as a form of being
outside
out of me
and into you
Dumb
I told my heart
to stop following you
But he's so stubborn
and dumb
Guess it's hard
to listen
when he beats as a carnival drum
to stop following you
But he's so stubborn
and dumb
Guess it's hard
to listen
when he beats as a carnival drum
-- --
Voam
Embaralham-se
e fazem papel de coadjuvante
Meus cabelos voam
para desenhar tuas manobras
Ao som da música
do teu samba
com o ritmo que impões
sutilmente
ao meu girar
Eles voam
para me tirar de dentro
o mal estar
Embaralham-se
e fazem papel de coadjuvante
Meus cabelos voam
para desenhar tuas manobras
Ao som da música
do teu samba
com o ritmo que impões
sutilmente
ao meu girar
Eles voam
para me tirar de dentro
o mal estar
Assinar:
Postagens (Atom)